A hora certa

É muito difícil identificar a hora certa de colocar um atleta oriundo das categorias de base para jogar na equipe principal. Existe um consenso que é melhor lançá-los num time já acertado, em boa fase. Isso, no entanto, não é garantia de que o jovem entre e logo comece a jogar tudo que sabe.

O torcedor muitas vezes esquece que jogador é feito de carne e osso, pensa que cada time tem 11 robozinhos em campo. Jogador, como qualquer um de nós, reage de forma diferente uns dos outros.

Muitos torcedores acham que o melhor técnico é aquele que mantém o elenco em rédea curta, na base da bronca. Não creio que seja o mais adequado. O melhor treinador é aquele que consegue identificar qual a melhor maneira de fazer seu atleta render o máximo. Tem gente que funciona melhor na base da cobrança e da bronca. Outros rendem melhor se forem provocados, desafiados. E há aqueles que precisam de muito apoio, muita conversa, para mostrarem tudo que sabem.

Na hora de lançar um jogador vindo dos juniores também é preciso saber trabalhar tudo isso e uma chance não aproveitada não significa necessariamente que o atleta não possa ser útil mais adiante.

Lucas é um bom exemplo desta situação. Estreou no time profissional em 2007, fez algumas partidas em 2008 e em nenhuma delas mostrou algo digno de nota. Pelo contrário, foi muito deficiente. Se seu julgamento definitivo fosse pelo jogo contra o Joinville, fora de casa, na derrota por 3 a 0 no primeiro turno do estadual deste ano, sua rescisão deveria ter sido assinada no dia seguinte, tal foi o desastre de sua atuação naquela partida.

Quando este blog pedia a saída de Anderson Luís, não era por crer que Lucas fosse melhor, era simplesmente porque já estava mais do que convencido que Anderson não servia.

Pois Lucas, que fez 21 anos na semana passada, para surpresa da grande maioria destes torcedores, inclusive este blogueiro, entrou e tem jogado muito bem. Desde que voltou a iniciar uma partida como titular, o garoto mostrou que estava disposto a fazer de tudo para agarrar a chance. Tanto que Roberto Fernandes o escalou em duas partidas no meio-campo e Lucas fez três gols contra Chapecoense e Criciúma, mostrando frieza e qualidade na hora de finalizar, virtudes raras no futebol brasileiro atual e num jogador jovem.

Lucas não agarrou a chance antes porque não estava pronto. Agora está. Pode oscilar, pode cair de produção, pode calçar um salto 15 e parar de jogar bem, mas tudo isso é o risco da idade. E só tem um jeito de saber se o jogador está pronto: é botando para jogar. Mesmo que isso custe um campeonato.

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