A vida sem Roger

O volante Roger se despede do Figueira para se apresentar ao seu novo clube na Alemanha. Se for o Energie Cottbus, como informado pelo repórter da CBN, Helton Luiz, o jogador vai disputar a segunda divisão germânica. A grana deve compensar.

O diretor de futebol do Figueirense, Thiago D’Ivanenko, disse que o clube não teve como segurar o jogador. O Figueira tinha participação minoritária nos direitos econômicos de Roger e não queria negociá-lo (clique aqui). Como tem muito torcedor que atualmente aceita análise até do mais avaiano dos cronistas esportivos de Florianópolis, mas se recusa a aceitar qualquer explicação de um dirigente do Furacão Alvinegro, os argumentos não vão adiantar muito.

Muitos dos que reclamam agora, reclamaram também quando Roger se apresentou no meio do ano passado, com físico de cantor de pagode. Recuperou-se, valorizou-se e o Figueira não teve como segurá-lo. Assim como, só nesta semana, o Atlético Mineiro não segurou Leandro Almeida, o Palmeiras não segurou Keirrison e o Barueri não segurou Pedrão. É a triste realidade do futebol brasileiro. Quem não gostar pode torcer por um time europeu pela TV ou arrumar uns 20 ou 30 milhões de reais, virar acionista majoritário da Figueirense Participações e decretar que nos próximos dois ou três anos só se compra e não se vende ninguém.

Voltando à vaca fria, ou ao volante perdido, a saída de Roger é uma perda. Num time cheio de dúvidas, ele era uma das poucas certezas. E agora vai ter que se buscar no elenco, ou fora dele, um substituto.

Jeovânio seria um bom nome pelo seu passado no Figueira. Sua condição física atual, no entanto, é uma interrogação. De acordo com o L’Equipe, maior publicação esportiva francesa, o volante fez, nas últimas três temporadas, 38 jogos pelo Valenciennes. A média é inferior a 13 partidas por ano. Muito pouco para um jogador que depende principalmente de sua força física para jogar bem.

Mais do que contratações bombásticas e pirotécnicas, o Figueira precisa de gente que chegue para jogar e tenha condições reais de melhorar o futebol jogado pela equipe. Se Jeovanio se enquadrar nestas condições, seria uma grande aquisição. Caso contrário, é melhor guardar a grana e procurar reforço melhor.

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About Ney Pacheco

Jornalista, aprendeu a amar o Figueira ainda nos tempos das arquibancadas metálicas. Viu Toninho, Marcos Cavalo, Sérgio Lopes, Pinga e Casagrande jogarem, mas tem uma vaga lembrança. Nascido em 1968 em Itu (SP), veio para Florianópolis aos três anos de idade, em 1971. Viu o time cair para a segunda divisão estadual, foi ao Scarpelli ver jogo contra o Flamengo de Capoeiras, esperou 20 anos para comemorar um título estadual e saboreou cada bom momento dos últimos 10 anos.

9 thoughts on “A vida sem Roger

  1. Acho que, nesse caso, a própria diretoria do Figueira se desacreditou, afirmando na quinta-feira que não havia negociação alguma envolvendo o Jogador e já no sábado confirmando sua saída.

  2. uma pena a saida do Roger. queria saber quanto que o Figueira vai ganhar com a saida dele.
    qual era o valor da rescisao do contrato?

  3. só uma coisa, ney.
    ele tinha contrato até dezembro de 2010. por acaso quanto mais cedo se rompe o contrato maior é a multa?
    sabes algo em relação a isso?

    o thiago d'ivanenko falou que o Figueira tinha uma participação minoritária nos direitos sobre ele, mas é assim com quase todos os jogadores, né? eles tão tudo na mão de empresários.
    quero saber quanto que o Figueira ganha com o rompimento do contrato, se o valor é alto ou não.

  4. Pelo que eu saiba, o fim do escravagismo já ocorreu. Ninguém é negociado se não quer. Acho a atitude do Róger, no mínimo, deselegante para com a torcida do Figueira. Sabendo de sua importância e da situação do time no campeonato, um jogador correto jamais abandonaria a barca atrás de qualquer oferta do exterior (qualquer mesmo, pois ele vai literalmente se esconder em um timeco de segunda na Alemanha).
    Como vocês mesmos disseram, ele era uma das únicas certezas do time que, durante a competição, vai ter que procurar outro nome. Um outro capitão. Será que a negociação foi tão rápida assim, a ponto da diretoria não ter como antecipar a situação contratando um substituto a altura? Será que no mercado tem algum outro que possa, em curto prazo, tomar o lugar desse jogador? Olha, ninguém é insubstituível. Mas já perdemos pontos demais nesse campeonato. Se queremos subir, temos que ser mais eficientes. Temos que prevenir, e não remediar.

  5. É isso aí meu caro Ney, infelizmente essa é a realidade do futebol no Brasil. Mas acho que tá faltando um pouco de estratégia da nossa diretoria que está se transformando num SPA de preparação de gordos, recuperação de contundidos, enchendo as burras de $$$ e ñ jogando nada. Se estão lá pra administrar, que o façam um pouco mais decentemente. Segundo dizem, o Guarani nem é um time tão caro assim e pelo que vi jogar aqui, muito longe de ser tanto. Sereria mais competência da diretoria deles?

  6. Trazer um jogador, recuperá-lo, e, assim que está bem, ele vai embora. Baita negócio esse do Figueirense. Espero que tenha ganho alguma coisa (e boa) pra fazer essa cagada.

  7. Olha…na minha modesta opinião não acho o Roger esse "CARA" como tem muita gente pintando. Esperava muito mais do Roger no Figueira. Esperava um jogador com mais personalidade que chegasse mais na área com chutes de longa distância, cobrando faltas e comandando o meio-campo. Acho que como "volante moderno" ainda deixa a desejar. Tomara que tenham a "luz" de trazer um volante que além de marcador saiba JOGAR FUTEBOL!

  8. Concordo com o Dante e o Flávio. Nem vou discutir a qualidade do Roger (aliás, do jeito que estamos, qualquer jogador razoável que sai deixa uma saudade!). E todo jogador tem direito de aceitar propostas maiores desde que o clube não tenha condições de segurá-lo. Mas o Figueira está se especializando em recuperar jogadores encostados ou gordos e na hora do "vamos ver" os empresários é que fazem a festa. É mais ou menos como a recuperação das estradas deste nosso Brasil. O governo gasta uma grana (a nossa), asfalta/duplica as rodovias e depois de prontas entrega de mão beijada para uma empresa cobrar pedágio. Pagamos pra fazer e depois pra passar em cima delas. Tá feia a coisa.

  9. Newton, tais com a razão, e aí é que mora o problema todo, mesmo ñ sendo tudo isso, era o que tinhamos de melhor. Sereria isso administrar? Se com o Roger já tava faltando quase tudo, imagina agora. Eta tristura.

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