Ainda sobre o caminho mais fácil

A coisa anda devagar por causa do recesso da série B e das atenções voltadas para a Copa do Mundo. Os posts ficaram mais espaçados aqui no blog, também por problemas pessoais, e os acessos e comentários caíram.

Mesmo assim, o texto sobre mensalidade suscitou alguns comentários interessantes e revelou uma certa maneira de ver as coisas.

A primeira impressão é que o debate pela internet é sempre guiado pelo Fla x Flu eterno. É tudo preto no branco, sem nuances. Maniqueísmo puro. Não se pode fazer uma crítica pontual ou se preservar a independência. Se eu critico, é porque sou contra tudo. Se elogio, é porque sou a favor de tudo. E todos.

Consequência dessa linha de conduta é que então só é amor quando é incondicional. Se não, é ódio. Então, se eu sou torcedor apaixonado pelo Figueira, não posso reclamar de nada. Só posso apoiar.

O estranho é que essa lógica foi contrariada quando muitos de nós, eu e muitos leitores, tivemos o desplante de ser contra as propostas mirabolantes do PPP e defendemos mudanças na gestão do Figueira. Não podíamos fazer isso. Tínhamos que apoiar, apoiar e aplaudir.

Mas o que eu não gosto mesmo é de ser enrolado. Se tem que aumentar a mensalidade porque precisa fazer caixa então digam “temos que aumentar a mensalidade porque precisamos fazer caixa”.

Não venham me dizer que vão usar essa grana pra reformar o CT, construir um novo estádio e fazer um time de série A porque eu não sou estúpido. Eu sei que essa grana não é suficiente nem pra fazer um time de série A quanto mais para fazer tudo isso.

O atual presidente do Figueirense já disse repetidas vezes que a “discussão era sobre contratos e não pessoas”. Me reservo o direito então de querer saber como irá funcionar a nova parceria e os detalhes do contrato entre as partes.

Não é nada pessoal, meus amigos. Só não quero saber cinco anos depois que o contrato que o Figueirense assinou com a parceira era uma baita porcaria para o clube.

A segunda parte do texto passado consistia então numa reflexão mais ampla do que restrita ao Figueirense. Quase todos os clubes brasileiros ignoram os aspectos citados no post, além de muitos outros.

Um clube, seu departamento de marketing ou coisa do tipo, tem sim que botar a caixola para funcionar e procurar resposta para a pergunta simples: como eu faço para trazer mais torcedor para o estádio?

É isso que interessa. Não adianta pura e simplesmente cobrar fidelidade e paixão do torcedor. Não adianta contar histórias emocionantes de quando um torcedor sofreu um acidente de carro e veio rastejando 10 km pelo acostamento da 101 até chegar no Scarpelli e ver os 15 minutos finais de um jogo para cobrar que outros ajam do mesmo jeito.

Clube nenhum enche seu estádio só com torcedores desse tipo. A gama é variada, eclética e é preciso um jeito de falar com todas as tribos e de motivar toda essa gente. Fazer competição de quem ama mais o clube não vai adiantar nada e só vai aumentar a distância.

Além disso, não consegui entender porque igualaram os preços do setor B ao do setor C. Por que alguém vai pagar o mesmo preço para ter uma visão muito pior do jogo? Algum dirigente alvinegro que concordou com essa decisão já subiu no alto do tobogã e tentou enxergar o que acontece dentro de campo perto do outro gol? Por que um torcedor que senta ali tem que pagar o mesmo preço de ingresso de quem senta no meio da arquibancada central?

Só há uma justificativa para uma decisão dessas: fazer caixa. A questão é que quando a decisão não é bem pensada, é tiro no pé, e vai ter o resultado oposto. Espero que o setor B tenha apaixonados suficientes para pagar o mesmo que pagam os que têm uma visão bem melhor.

Em toda a Europa, por exemplo, as cadeiras atrás dos gols são mais baratas. É lá que ficam as organizadas. É só ver jogo na Itália, por exemplo, e ver faixas tipo “curva norte” e “curva sul”.

Então, meus caros leitores, um texto feito rapidinho como este já apontou algumas nuances que devem ser consideradas a respeito desse tema. Se a gente sentar para trocar umas idéias, vamos encontrar muitas outras mais.

Apesar dos senões, estaremos no sábado vendo o amistoso contra o Juventude – finalmente um joguinho – e depois na volta da série B contra o Vila Nova no dia 13.

Porque é muito simples, quando o alvinegro está em campo, é “quebra tudo, Figueira”. Aí sim o apoio é incondicional.

14 thoughts on “Ainda sobre o caminho mais fácil

  1. SETOR B tem que ser Popular!!!

    Ja estava caro em relaçao ao C, agora igualaram mais ainda???

    Que palhaçada!

    o Setor B devia ser 30 reais e o C 60

  2. é muita burrice mesmo o setor B ser o mesmo preço que o C. se for assim, que acabem com as cadeiras numeradas e a setorização.

    concordo com o leonardo que o preço do setor B devia ser metade do setor C. e digo mais, deviam abrir também o setor D, com um preço menor ainda que o B, pois a arquibancada é mais baixa, pra ir aquele pessoal que só quer festa e não tem dinheiro.
    desde que eu vou ao estádio o setor D é pra torcida visitante ou pros fantasmas, salvo alguns grandes jogos que eles abrem.
    são coisas tão fáceis de se fazer, não vejo um motivo que inviabilize a execução.

  3. A discussão não deve permear se um tem que custar 60 ou 30 reais. Mas sobre a capacidade que comporta o Estádio. Se ele tem quase 20.000 lugares, reservando deste total, 4.000 para a torcida visitante, que só lota quando temos adversários com apelo local, o direcionamento deveria ser dado no sentido de criar adesão de novos sócios, com custo menor, difirenciando os setores. Pois temos 16.000 lugares, menos os atuais 8.600 adimplentes, sobram 7.400, que poderiam ser bem trabalhados, como por exemplo:
    Cada sócio atual, levando um candidato a sócio, após a efetivação da asoociação, o atual pagaria o mesmo valor praticado para este novo plano, evidentemente como já mensionei, com valor menor. Acredito que a grande dificuldade em inovar neste quesito, consiste justamente em não descontentar ainda mais aqueles sócios antigos. Por que, como irão lançar novos planos de sócios com valores menores, com os atuais em vigor. Entendo que assim seria uma saída.

  4. Ney,
    tas coberto de razão, concordo com o que falaste, e tem mais, vou usar as palavras do nosso amigo TAINHA:”Certeza é que a região da Grande Florianópolis não é constituída só por pessoas que R$50 não faz falta. Há muita gente com menor poder aquisitivo que não pode bancar tanto dinheiro, ainda mais para a família inteira.” A idéia de um setor POPULAR não pode ser descartada!!!
    Saudações!!!

  5. Que nem o colega falou, TIREM AS SETORIZAÇÕES se vão igualar os preços. E o setor D que vire popular

  6. ALÔ, ALÔ, ALÔ DIRETORIA !!! O SETOR “B” É DO POVÃO! O VALOR DO SETOR “B” NÃO PODERIA ULTRAPASSAR 30 REAIS. TÁ SOBRANDO LUGAR NAQUELE SETOR! VAMOS SE MEXER!! NEY VCS BLOGUEIROS E NÓS INTERNAUTAS DEVEMOS LANÇAR UMA CAMPANHA : “SETOR B É TRINTÃO É DO POVÃO”. VALEU. UM ABRAÇO!!!

  7. Caro Ney,

    Penso que se a Diretoria falar a linguagem do torcedor, que não precisa ser ufanista, mas sim progressista, qual o torcedor de não deseja ver seu clube crescer? Que esse discurso não fique só no papel, torcedor não é burro, sabe reconhecer atitudes coerentes e concretas, com empreendimentos, e o mais importante, conquistas dentro de campo. Ai meu amigo, a mensalidade pode custar o preço que for, que vai haver fila de espera pra nego se associar e não haverá mais ingresso nas bilheterias em dias de jogos.

    Penso que se houver um pouco mais de coragem e iniciativa de nossos diretores/parceiros/investidores, não dos sanguessugas, um projeto vencedor pode acontecer no Scarpelli, o clube tem potencial pra isso (a FP quase conseguiu, não fosse o olho grande, a ganância dos atos finais do Lages e CIA).

    O Futebol é viável e rentável à todos, basta misturar um pouco da paixão de torcedor com muito profissionalismo do empreendedor que as coisas acontecem, com certeza.

    Abraço.

  8. Continuo insistindo, mantenham todos os atuais preços, mas reduzam no setor B. Este setor tem que ser popular.

    30 reais por mês a sociedade no B já!

  9. Também acho que deveria ser feito uma campanha dos Blogs conclamando a direçao a fazer do B um setor popular (30 por mês).

    Eu apoiaria.

  10. nunca gostei desse negocio de cadeira fixa,uma vez levei um primo do interior num jogo de grande publico e tivemos que assistir de pé.
    eu gostava muito de circular dentro do estadio,agora não da mais.
    aumento nunca é legal,mas tambem acho que temos que apoiar,porque a diretoria finalmente se mexeu.

  11. As cadeiras foram feitas por causa da TV.
    Eu acho que o setor B tem que continuar do povão.

  12. O setor C deve ser mais caro, sim. No setor B a visibilidade é ruim, por isso acho que lá o preço deve ser mais em conta. Se a diretoria acha que deve aumentar a mensalidade, devemos respeitar esta decisão, já que o time está em quinto e falta bem poko para engrenar na serie B e irmos pra primeira divisão. Todos sabem que se algo der errado, ano que vem o bixo vai pegar, haja marketing pra trazer o torcedor de volta, vai ser mt difícil, mesmo.

  13. COM CERTEZA, QUEM APOIOU ESTA MUDANÇA NUNCA SUBIU NO ALTO DO TOBOGÃ MESMO. UMA VERGONHA ESSA EQUIPARAÇÃO DE PREÇOS DO B E C, O CORRETO SERIA CRIAR UM SETOR POPULAR ALI, O APOIO QUE JÁ É GRANDE NAQUELE SETOR IRIA AUMENTAR, E MUITO.

  14. Pingback: O melhor público da rodada- Ney Pacheco

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