As consequências de um time feito a prestação

Para a partida contra o São Caetano, o Figueirense não pode contar com vários jogadores afastados por problemas musculares. Pelos meus cálculos ficaram fora do jogo de ontem por causa disso: Wilson, Régis, Schwenck, Vinicius Pacheco e Jeovânio.

É um problema que afeta o Figueira desde o ano passado. A celeuma em torno da qualidade do trabalho do atual preparador físico já foi criada. Não tenho elementos e conhecimento para julgar o seu trabalho, mas creio que dois fatores são muito mais determinantes para o acúmulo de problemas nesta área: a pré-temporada curta demais e a formação de um elenco por etapas. Formação, aliás, que ainda não acabou.

O clube teve pouco menos de 15 dias para se preparar para o campeonato estadual. Um torneio com exagero de jogos por conta da mudança de fórmula, com jogos domingo-quarta-domingo praticamente do começo ao fim, com paradas apenas para a Copa do Brasil, competição da qual o Figueira também participava.

O correto era o Figueirense ter aguentado a bronca da torcida e ter começado a competição com um time B, enquanto preparava o elenco principal adequadamente. Os maus resultados precipitaram a estréia de alguns jogadores, o que já causou lesões musculares de saída. Régis e Pedrinho foram vítimas disso. Agora é a vez de Jeovânio.

Fica a lição para o ano que vem. Independente do resultado obtido na série B, o Figueira deve aproveitar a Copa Santa Catarina para preparar um time para começar o campeonato estadual, independentemente da ira ou da alegria da torcida no final deste ano. O exemplo de 2008 deve ser lembrado, quando nem se preparou o elenco principal adequadamente nem se obteve bons resultados. Mais vale começar mal e recuperar depois, com um time que tenha fôlego para isso, do que ficar com gente no estaleiro o tempo todo.

Passamos então ao problema número dois, provavelmente o mais grave: a montagem do elenco a prestação. Desde o ano passado que o Figueirense vem trazendo jogador a toda hora. Além dos evidentes problemas de entrosamento que isso ocasiona, é praticamente impossível ter jogadores no mesmo estágio de preparação física. As consequências estão aí para todo mundo ver.

No post Hora de acalmar, de 9 de junho, escrevi que “vejo que o Figueira é uma equipe em permanente construção desde o ano passado. Treinadores contestados, jogadores criticados, resultados ruins e mudanças a atacado. Não funcionou, como se viu, e agora é preciso assentar um pouco a poeira”.

Estamos entrando no final de agosto e a construção ainda não terminou. Com isso, o time ainda não está pronto, os jogadores ainda não estão prontos e o time não consegue apresentar um futebol regular e convincente. A construção vai ficar pronta quando?

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About Ney Pacheco

Jornalista, aprendeu a amar o Figueira ainda nos tempos das arquibancadas metálicas. Viu Toninho, Marcos Cavalo, Sérgio Lopes, Pinga e Casagrande jogarem, mas tem uma vaga lembrança. Nascido em 1968 em Itu (SP), veio para Florianópolis aos três anos de idade, em 1971. Viu o time cair para a segunda divisão estadual, foi ao Scarpelli ver jogo contra o Flamengo de Capoeiras, esperou 20 anos para comemorar um título estadual e saboreou cada bom momento dos últimos 10 anos.

20 thoughts on “As consequências de um time feito a prestação

    • Saulo, podemos fazer um intercâmbio. Vocês vêm jogar no Scarpelli e o Figueira vai jogar no Engenhão…
      Quem sabe funcione melhor assim para os dois.

  1. é isso aí mesmo. é incompetência dos caras que montam o elenco, que tem uma dificuldade enorme em identificar as carências da equipe e ir buscar no mercado peças pra solucioná-las.
    acho que nunca vi o Figueira contratar tanto e tão mal como esse ano e ano passado. os caras não tem experiencia.

  2. Sempre lembrando que o Figgueira começou a pré temporada muito depois de seus adversarios. Comçou, se não me engano no dia 7, enquanto outros times grandes já treinavam desde o fim do ano passado.

    Petry

    Blog Máquina Alvinegra

  3. Tua análise está correta. Deu-se importância ao Estadual, desde a primeira rodada, e acabamos ficando fora das finais. O pior é que estamos pagando o preço até hoje, pois quase em setembro o elenco ainda não está pronto.
    As lições devem ficar para o próximo ano.
    Mas neste ano o Figueirense ainda deve ter aspirações, e apesar das dificuldades que ele mesmo criou perdendo pontos para times inferiores tecnicamente, faz-se necessária a qualificação do elenco. Qualificação que deverá ocorrer ESTA SEMANA. Até a 8a. rodada do returno estará definida nossa situação, pois enfrentaremos a Portuguesa (3a. rodada, fora), o Ceará (4a. rodada, em casa), o Guarani (5a. rodada, fora), o Atlético Goianiense (6a. rodada, em casa) e o Vasco (8a. rodada, fora). Ou seja, até o dia 29 de setembro já saberemos o nosso destino: permanência na Série B, ou perspectiva de retorno à Série A. Providências, então, são URGENTES.

    • Tens razão, Jorge. Fora de campo, tem que fechar o grupo essa semana. Dentro tem que recuperar os três pontos de ontem na terça em Ipatinga e voltar a vencer em casa na sexta contra o ABC.

  4. Ney, voce fala que o exemplo de 2008 deve ser lembrado, mas parece que para a nossa Diretoria o ano passado passou em branco.

    Acho que vao esperar perder 8 partidas em sequencia e a classificacao depender de resultado dos outros para mudar o tecnico.

    abs,

  5. Ney Pacheco e Saulo, sabem quem é o Diretor de Futebol do Botafogo, o ex fo Figueira, não é, acho que não subiremos por dois culpados, Treinador Burro talves sem bagagem, e Diretoria Lerda em dispensar o treinador e contratar, sabem por que As chances do Figueira são minimas, aco que tem 20% de acesso, 40% permanecer e 40% para cair os calculas são simples, para o acesso temos que vencer 11 jogos e empatar 1 partida isto para ter 64 pontos, com um time deste e um tecnico deste incompetencia, que perdeu o time esta terrivel com este treineiro não chegaremos, com este preparador fisico dificil livrar-se das contosões, com este planejamento horrivel e complicado pior ainda, vejam, o jogador Ricardinho esta fora do grupo, mais que produz mais que estes dois produz. cito isto para mostrar as incoerencia dentro do Depto de Futebol, um tecnico que escala um zagueiro na lateral, e nem coloca um lateral de oficio no banco, quer o que, ? a unica coisa que nosso tecnico tem é uma boa conversa, nunca foi jogador, não conhece o rolar da bola,

  6. Pois é. E assim a gente vai levando… (na cabeça). Esquecendo Estadual e Copa do Brasil; primeiro era “porque estamos no começo, não podemos tomar decisões precipitadas…”; depois foi “vamos aguardar, teremos a volta do Carlinhos, do Fernandes, do Ricardinho…”; mais tarde foi dito “no papel não tem time melhor do que o nosso, deixei de ser vascaíno para ser Figueirense, porque futebol é 20% técnica e 80% psicológico…”; agora “o time mesmo desfalcado jogou direitinho, levou muito azar, não sei o quê…”; outra hora é “tenho que olhar melhor porque acho que o Carlinhos foi derrubado e foi pênalti…”; depois é “temos o segundo turno todo pela frente, não tem nada perdido, deve vir aí um ou dois reforços…”! Com essa penca de jogador no departamento médico e com essa perspectiva de só mais uma ou duas contratações e ainda as estatísticas se encolhendo!!!!! Isso não é jogar as pretensões por terra? É terra arrasada sim e estando por vir ainda um filme de terror (ter que ir para nova tentativa de acesso no próximo ano). Qual o legítimo torcedor que quer ver o seu time mal sucedido? Ney, apesar do teu sonho em ver o estádio europeizado e lotado, independente de campanha, discordo quando colocas em primeiro plano que está faltando um pouco mais de apoio da torcida. Parece que estais fazendo uma campanha contra a indignação! Só falta profetizar: “Acalmai-vos torcedores porque os últimos serão os primeiros e os que choram serão perdoados”. Eu sei que não estais brincando, mas não judia do povão né! Olha, marasmo e passividade já tem demais por aí, meu caro. Acho que alguma mudança para o segundo turno, dentro de todas as dificuldades reinantes e que dificilmente serão superadas, a primeira providência passa pela mudança de comando; os jogadores já estão desanimando! Para entrar rasgando no returno só tem uma solução: nova voz de comando, treinador “cabeça”, técnico “psicólogo” (e uma verificação na razão das contusões). Estão esperando o que? A janela para o exterior fechar e apostar para ver se alguém leva os caras (Netinho e Rafael Moura); ainda vão ficar chupando o dedo! E essas bolas paradas, que vergonha! Então isso é o Netinho que vem resolver é? Será que está acontecendo o mesmo esquema do ano passado, de cerco fechado por grupos de parceria. Olhando a tabela, como já citaram aqui no blog, dá até um desânimo. Vamos ver aonde vai dar tudo isso???!!! Isso só não é terra arrasada porque a vida não é só futebol. Aliás, esqueçamos um pouco esse vínculo de paixão inerente ao torcedor, inclusive de vascaíno que virou Figueirense, para não sofrermos demasiadamente e para não atrapalharmos, atendendo ao apelo do nosso blog. Vamos fortalecer os nossos vínculos familiares, profissional, social e espiritual, deixando a alegria do futebol agora com nossos amigos, que não são poucos, avaianos, e que tantas amarguras também já tiveram que administrar por causa dessa bendita paixão futebolística, fonte de fortes emoções. “Não adianta malhar em ferro frio”. Vamos apenas assistindo os joguinhos, independente de resultado; afinal de contas, além de torcedores, somos brasileiros. O Figueirense já ganhou tanta coisa. No futebol não se ganha sempre. Tenho dito.

    • Concordo com o Luiz…

      Esses jogos de sexta-feira sao para acabar com o final de semana.

      O problema é que nao consigo parar de checar os blogs por informacao do Figueira.

      Acho que tenho que fazer um retiro no Tibet…. quem sabe assim volte a paciencia com esse time.

    • Puxa, Luiz e Rodrigo, vocês traduziram bem o que significa torcer para o Figueira nos dias de hoje. Sofrimento puro, que afeta até nossos finais de semana se não tivermos a capacidade de separar direitinho o futebol da vida normal que segue. E olha, no Tibet não seria o lugar mais tranquilo para esquecer os problemas. Os chineses não perdoam nem os monges. Jogos às sextas-feiras, então, no atual estágio, é pra matar mesmo. Mas às vezes tento me convencer que um jogo de futebol é apenas isso; 90 minutos de bola rolando e…acabou. Só que gostaríamos de mais emoções – positivas -, não é? Mas do jeito que vivemos na série A (com exceção de 2006), o coração ficava na boca em todos os anos. Penando para só fugir do rebaixamento. É esse o nosso destino? Ter de nos conformarmos com campanhas regulares, sem maiores pretensões? Então a B nos evita sobressaltos maiores? Acho que a torcida prefere voos mais altos, ainda que à custa de sofrimento. Experimentou o gostinho de enfrentar os grandes durante 7 anos. Agora vai ser difícil digerir com paciência essa lentidão de montar um time e solucionar problemas. Bom domingo.

    • É isso aí Rodrigo: DESENCANA! Uma sugestão: estamos comemorando vinte anos sem Raul (Seixas); ouvir “Ouro de Tolo” é uma boa terapia! huahauhauhau!!!

    • Valeu Airton. Desculpe. Enquanto postava ao Rodrigo, não tinha visto a tua participação ainda. Gostei da reflexão heim!

  7. No atual momento, de grupo, treinamento, preparação fisica, esquema tatico, condições psicologica, engajamento da torcida, etc…,hoje nos so temos o estadio e historia para o Returno, é serio o Figueira não chega no G4, so se acontecer um fato novo urgente, um fato que mexa com a torcida e com os jogadores, para termos umas 3 vitorias e neste interin formar o grupo.

  8. Ney tenho ate medo de comentar isso, mas
    tenho quase que certeza de que a contra-
    tação do Jean Coral é uma preparação pa-
    ra a venda do Rafael, se conheço bem nos-
    sa $$$$$DIRETÓRIA$$$$$.

    • Não sei. Trocamos um atacante que não parecia ter vontade de jogar no Figueira por outro que pode ser útil. A princípio é isso.

  9. leio todos os comentarios e eles expressam bem o que estamos passando e volto a repetir o unico problema do figueirense é a incopetencia do dp.de futebol em montar time como é que pessoas que nunca gostaram de futebol que nao sabem nada do passado do figueirense agora brincam de comandar uma paixao,outra coisa que nao aguento mais escutar é que torcedor é passional e nao entende de administraçao de futebol,se a nossa diretoria tivesse pelo menos um passional nao estariamos nesta situaçao.

  10. NEY,pelo que eu sei o FIGUEIRENSE esta arrendado para a FIGUEIRENSE PARTICIPAÇOES desde 2004 por um periodo minimo de 20 anos,gostaria de saber se é isso mesmo e se nesse periodo temos alguma chance de ver uma eleiçao de verdade com oposiçao e torcida envolvida,com um candidato passional tipo JOSE CARLOS DE SILVA que estranhamente depois de uma critica a esta gestao parece que sumiu.

    • 20 anos renováveis por 20 anos. Há eleição para o Conselho Deliberativo. O José Carlos Silva era sócio da Figueirense Participações e vendeu sua parte.

  11. Caro,nei.

    Não vendi minhas quotas,devolvi ao clube como doação minha participação na empresa “figueirense Participação SA,por não concordar com as pessoas colocadas para comandar o futebol,que nada tem a haver com as tradições clube do mais querido de Santa Catarina.

    Sou apenas um torcedor apaixonado

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