O Figueira já brigou contra o rebaixamento quando estava na série A. Os dois primeiros anos, por exemplo, foram de amargar, com vitórias que só foram acontecer depois de sete ou oito jogos, e o time considerado, principalmente no primeiro ano, como virtualmente rebaixado.
Em 2005, o sofrimento foi mais longo. O time terminou o turno entre os quatro últimos e teve uma reação sensacional no segundo turno, com Adilson Batista e Edmundo comandando a equipe.
Em nenhuma dessas ocasiões, o Figueira contou com tanta complacência e boa vontade da mídia local quanto o Avaí teve nessa volta à série A depois de 30 anos.
Até agora o time do Sul da Ilha batia um bolão, estava se acostumando ao ambiente, o gol era um detalhe, a vitória outro detalhe, estava tudo nos conformes, uma hora as vitórias viriam e todo esse papo furado.
Por isso está tão divertido ver a reação em cadeia da imprensa esportiva local, clamando, em uníssono, depois do vexame do Mineirão, por mais qualidade, mais empenho, mais dedicação.
Agora caiu a ficha. O sol ficou grande demais para a peneira. Em seu blog, o jornalista Marcos Castiel finalmente tem coragem de dizer o óbvio: “O Atlético-MG vinha de uma guerra contra o Vitória. O Coritiba poupava jogadores. O Inter jogou com os reservas. O Flamengo se preocupava com a Copa do Brasil. O São Paulo não atravessava boa fase. O Barueri era adversário direto. Nenhuma dessas situações foi aproveitada pelos avaianos. Ontem, mais uma foi desperdiçada: a derrota por 1 a 0 para o Cruzeiro foi preocupante pelo resultado e pelo desempenho” (clique aqui).
O Avaí teve todas as chances do mundo para começar a série A lá em cima e acumular gordura para momentos mais difíceis. Aliás, dos times que subiram no ano passado, é o único que freqüenta a zona de rebaixamento. Desperdiçou todas as chances. Com a Libertadores e a Copa do Brasil no fim, o foco central voltará a ser o Brasileiro, a mamata acabou e o time azulejento perdeu o bonde.
Enquanto isso, o Castiel podia ser coerente e abrir contagem regressiva para ver quanto tempo o Avaí demora para contratar atacantes que façam gol, laterais que saibam jogar bola e outros reforços que uma competição como a série A exige.
Além disso tudo que escrevesse, me espantou abrir o ClicRBS ontem e ver escrito que "Parece que tem um sapo amarrado na chuteira", frase do Marquinhos Santos, ou como eu ouvi na final do catarinense que o árbitro tinha uma camisa do Figueirense por baixo. Quando o futebol é insuficiente nunca faltam palavras aos jogadores e dirigentes avaianos. E o pior é que não falta também apoio da mídia.