Com quantos erros se faz uma derrota

O time entrou escalado sem muitas surpresas. A entrada de Schmoller na ala direita já era cogitada, assim como o retorno de Schwenck ao comando do ataque.

O primeiro tempo foi muito parecido com o jogo contra o Bahia, em Salvador, com exceções de dois aspectos. O primeiro, positivo, é que o Figueira não teve ninguém expulso. O segundo, negativo, foi que saiu atrás no placar.

Assim como em Salvador, no entanto, o time se defendia bem, mas não conseguia concatenar jogada alguma nem manter a posse de bola. Aliás, o Juventude criava ainda menos do que o Bahia no jogo de Pituaçu, só que não conseguir ficar com a bola é sempre um problema. Hoje as circunstâncias trabalharam contra o Figueirense. O gol do time de Caxias só poderia sair de bola parada. E saiu. Num pênalti.

No segundo tempo, foi a vez do técnico Roberto Fernandes fazer as escolhas equivocadas. Eu, particularmente, não consigo enxergar a vantagem de se jogar com três atacantes quando se está perdendo uma partida. O treinador alvinegro insiste, porém, em apelar para esse recurso quando está atrás no placar. Não me lembro de ter funcionado alguma vez. Aliás, já vi Adilson Batista botar quatro atacantes num jogo contra um Fortaleza com nove jogadores e a partida terminar no mesmo 1 a 0 a favor do Figueira que o marcador apontava no primeiro tempo.

O time ficou com uma avenida no meio, sem levar grandes perigos ao gol adversário. O espaço era ampliado porque Schmoller voltava para a defesa se arrastando. Assim, Paulinho ficou no mano-a-mano com Zezinho, teve a camisa puxada primeiro, mas Rodrigo Cintra – árbitro que por algum mistério insondável aparenta detestar o Figueira – preferiu assinalar pênalti na sequência da jogada. 2 a 0 para o Juventude.

Aí veio mais um erro alvinegro, no momento ideal para diminuir o placar, logo depois de sofrer o segundo gol. Pênalti para o Figueira em Clodoaldo. Ele mesmo foi bater e atrasou para o goleiro.

Aí Roberto Fernandes fez um remelexo. Tirou Schmoller e botou Vinícius Pacheco. Trocou João Filipe por Anderson Pico. Não ao mesmo tempo, ressalta-se – houve um intervalo entre as substituições. Só que o Juventude teve um jogador expulso, o Figueira começou a pressionar mais e criou chances para chegar ao empate. Em dois cruzamentos precisos de Anderson Pico, Schwenck e Clodoaldo cabecearam para fora, além de uma boa conclusão de Rafael Coelho no final da partida.

Uma noite infeliz, cheia de erros, que não poderia ter melhor desfecho que a precisão cirúrgica de Rodrigo Cintra em distribuir cartões e tirar Rafael Coelho, Schwenck, Régis e Paulinho da partida contra o Vila Nova na próxima sexta-feira.

A vitória, no entanto, terá que vir assim mesmo.

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About Ney Pacheco

Jornalista, aprendeu a amar o Figueira ainda nos tempos das arquibancadas metálicas. Viu Toninho, Marcos Cavalo, Sérgio Lopes, Pinga e Casagrande jogarem, mas tem uma vaga lembrança. Nascido em 1968 em Itu (SP), veio para Florianópolis aos três anos de idade, em 1971. Viu o time cair para a segunda divisão estadual, foi ao Scarpelli ver jogo contra o Flamengo de Capoeiras, esperou 20 anos para comemorar um título estadual e saboreou cada bom momento dos últimos 10 anos.

4 thoughts on “Com quantos erros se faz uma derrota

  1. Admiro os blogueiros que ainda tentam ter esperança e ver o futuro com um pouco de otimismo. Para mim acho que a série B é o lugar do Figueirense mesmo. O clube não demonstra a mínima vontade de subir, uma vez que contratações de qualidade não vêm. E o time, que joga contra um adversário na zona de perigo e com dez jogadores e desperdiça um pênalti que não foi batido pelo goleador do campeonato, não se faz confiável perante sua torcida. Com tantos desfalques, o próximo jogo será uma lástima, mesmo sendo em casa. Botem um vestidinho rosa nesse treinador para motivá-lo.

  2. nosso Figueira não é um time definido, e não tem banco a altura e ainda temos um tecnico teimoso e que erra muito, espero melhora, vamos ver como se comporta o time nesta outra batalha, e para quem pensa que vai ser facil, vai ver um jogo feio, truncado, coisa medonha.

  3. Eu pensava que com uma boa sequência de resultados o Figueira não iria mais fazer exibições tão medonhas como essa.
    Não entrar 1 vez sequer na área do adversário em todo o primeiro tempo? É difícil ter esperança com um time que alterna boas partidas com partidas horrorosas como essa de hoje, contra o Atl. Goianiense, Ceará etc.

    Se não vierem reforços vai ser essa irregularidade até o final do campeonato. Temos um time, mas não temos elenco. Próximo jogo vamos jogar sem metade do time titular, ou seja, haja coração.

    Certo é que o Figueira deixou passar outra oportunidade de crescer na competição. O jogo não tava difícil não, achei que faltou empenho dos jogadores.

  4. Quando a gente pensa que pode começar uma sequência de regularidade, vem um resultado desse cheio de controvérsias. Todos sabemos que cada jogo é uma história diferente. Não se exige um campeonato ganhando tudo em casa e empatando tudo fora. Absolutamente. Mas o torcedor é um apaixonado, ele cansa, ele sofre com a falta de perspectivas mínimas. Não assisti ao jogo por razões profissionais, mas as críticas, os comentários e as observações apontam uma gama de equívocos e problemas que nos deixam muito preocupados. Parece algo meio fora de controle, incompetência de um e de outro, desentendimentos, falta de comando, garra num jogo, displicência no outro, indefinição tática, leituras equivocadas, enfim, tudo em nome de um desempenho satisfatório em termos de aproveitamento nas rodadas até aqui disputadas. No mínimo estão dizendo: “os cães ladram e a caravana passa”. Tem outro que diz: “não adianta ficar escrevendo bloguinho por aí, tem é que trabalhar”; vocês ouviram essa? E tem que trabalhar mesmo, pois ganha para isso. Só que a eficiência tem que existir também. Dizer que o time não pode aceitar o domínio do adversário é pouco também. O time tem que ser trabalhado para isso. Mas deixa pra lá! Isso passa! Agora vem um joguinho fácil em casa mesmo. E assim nós vamos levando … (na cabeça).

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