Como se não houvesse amanhã

Se tem algo que me incomoda nos tempos atuais é essa tendência de se encarar o que acontece hoje como se fosse um fato dramático, definitivo, insuperável e ao mesmo tempo tudo é superficial e descartável até que nova catarse recomece.

No futebol, com tanto espaço nas mídias disponíveis (internet, rádio, TV, jornal) isso se repete a cada jogo. Cada vitória é avassaladora, cada derrota é crítica, dramática, incontornável. E aí não sei se é a mídia que influencia a torcida ou a torcida que faz a mídia se comportar desse jeito. Só sei que a cada derrota, como a de terça-feira, em Caxias, se pede a cabeça do técnico e de meio time.

Parece que quase todo mundo guarda o cérebro, a razão, na gaveta, antes de repercutir um resultado. Ser torcedor, para mim, não se resume a isso, uma emoção burra e violenta que impede o cidadão de ter qualquer tipo de raciocínio lógico.

Outra coisa que incomoda é a memória curtíssima de quase todos. Rafael Coelho, por exemplo, era questionadíssimo até dois meses passados. Era fominha, era limitado, só corria e não pensava. Depois que desembestou a fazer gol virou um crime de lesa-pátria qualquer ameaça de vendê-lo. É a última bolacha do pacote. Só que é o mesmo garoto, em evolução, que vai acertar, errar e tem muito a aprimorar até se firmar definitivamente. Está numa fase ótima, mas é muito difícil manter uma média de quase um gol por jogo em qualquer competição. Vai ter o mesmo apoio se os gols rarearem?

Isso leva a outra questão. A facilidade com que um boato deflagrado não se sabe por quem, gera uma avalanche de comentários e notícias sem qualquer fato a fundamentá-los. Há uma semana ou mais se reclama de uma possível venda de Rafael Coelho quando não se tem nenhuma informação concreta a respeito de qualquer proposta feita recentemente pelo jogador. Bastou um anônimo comentar num chat de um programa de rádio para que a fofoca ganhasse ares de notícia comprovada. Ninguém corroborou. Nenhuma confirmação foi obtida. Mas o falatório dura até hoje.

Não sei se me fiz entender. Esse post saiu meio confuso e não estou com muita disposição de consertá-lo.

Só tenho a certeza que futebol tem isso de bom. A gente perde na terça fora de casa e pode se recuperar na sexta no Scarpelli.

Então bola pra frente e que venha o Vila.

* Foto: Carlos Amorim

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About Ney Pacheco

Jornalista, aprendeu a amar o Figueira ainda nos tempos das arquibancadas metálicas. Viu Toninho, Marcos Cavalo, Sérgio Lopes, Pinga e Casagrande jogarem, mas tem uma vaga lembrança. Nascido em 1968 em Itu (SP), veio para Florianópolis aos três anos de idade, em 1971. Viu o time cair para a segunda divisão estadual, foi ao Scarpelli ver jogo contra o Flamengo de Capoeiras, esperou 20 anos para comemorar um título estadual e saboreou cada bom momento dos últimos 10 anos.

5 thoughts on “Como se não houvesse amanhã

  1. Se me permite Ney, uma coisa que me incomoda é achar que só nossa força de vontade, só o apoio da torcida vai levar nosso Figueira a série A.

    Precisa qualificar! Estão demorando. Todo ano a mesma história. Primeiro "vamos esperar o mercado se abrir, ainda é cedo". Depois, "não tem mais opção no mercado".

    É preciso gastar um pouco do que ganharam nos últimos 7 anos e investir.

    Mas, que venha o Vila Nova e estaremos lá, como sempre, com guaraná e pastel do Keko.

    Abraço!

  2. "Se me permite Ney, uma coisa que me incomoda é achar que só nossa força de vontade, só o apoio da torcida vai levar nosso Figueira a série A."

    que apoio? a nossa torcida só canta quando sai gol e olhe lá.
    se tem uma torcida que não merece ver o time na série A, em termos de apoio, é a nossa.
    todas as vitórias até agora foram méritos exclusivos dos jogadores, ainda não fizemos diferença alguma…

  3. Fernando, concordo em parte com seu comentarios, a torcida alvinegra esta ressentida de varios problemas e fracassos, e muito mais por mudanças de comportamento que teve que adotar porque: como o novo layout do scarpelli com cadeiras, separação das tocida, repressão da PM proibindo de bandeiras mastros etc…Eu não posso exigir da torcida alvinegra um comportamento que se ve em outro estadio, por que isto tem que ser introduzido e leva tempo, veja um exemplo a Gavioes uma torcida organizada que apoia o tempo todo mais são um numero pequeno de torcedores, para melhorar aquilo ali teria que abrir e convidar outros torcedores a aderir aquela ideia de torce isto é so um ex.

  4. Fernando, não quis dizer que estamos fazendo a diferençca, longe disso. Nossa torcida anda muito quieta. Eu também acho isso. O que eu quis dizer é: "Só barulho de torcida não conquista acesso". No mais, também não vou ficar comentando o seu comentário, é sua opinião e eu respeito. Apenas quis ser claro para você não me entender mal. Abraço!

  5. Marcos Silva, concordo totalmente contigo.
    pra torcida fazer alguma diferença em termos de resultados, o time tem que ser melhor, acho que foi isso que quiseste dizer.
    abraços!

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