Todo esse chororô por pênaltis a granel, como na Ressacada no último domingo, reforça minha impressão de que muita coisa precisa ser corrigida na postura dos envolvidos com futebol no Brasil. Os jogadores brasileiros simulam faltas cinematograficamente. Adoram dobrar os joelhos a qualquer encontrão, tentando dar uma de espertos e levar uma vantagem ilícita. Os árbitros brasileiros adoram picar o jogo com uma imensidão de faltas porque assim é mais fácil conduzi-lo. Boa parte da crônica esportiva ama gastar horas e horas de falatório sobre os tais lances polêmicos. Boa parte dos dirigentes adora responsabilizar os árbitros pelos fracassos do seu clube porque assim tira o seu da reta. Boa parte dos torcedores vê uma conspiração contra seu time em cada esquina. Tudo isso é muito chato e estraga o jogo.
Não vou entrar numa discussão técnica ou filosófica, mas quero destacar que uma imagem é uma representação da realidade. Com a atual profusão de câmeras espalhadas pelo estádio ficou mais fácil tirar dúvidas e ressaltar os erros da arbitragem, mas nem sempre o que parece e aparece na imagem é o que realmente aconteceu. Não estou falando em manipulação de imagens ou coisa parecida, só que a imagem não capta intenção, força ou intensidade.
Quando o zagueiro encosta a mão nas costas do atacante não é necessariamente falta. Depende da força empregada. Contato não é falta, é do futebol. Só que o atacante se atira no chão e quase todo mundo clama por pênalti. Além disso, nem sempre há o contato mesmo que pareça que houve. Quem já viu a pancadaria rolando num filme de Hollywood sabe do que estou falando.
A imagem ilude. Quando, por exemplo, repetem para frente e para trás o movimento de uma bola na mão, depois de certa altura não sabemos mais dizer se a bola está indo em direção ao braço ou o braço em direção à bola.
Futebol também é fantasia e ilusão, mas essa discussão sobre erros de arbitragem é chatíssima. Se os jogadores, dentro de campo, se preocupassem mais em jogar do que iludir, isso já faria um bocado de diferença.