Para deixar bem claro

A vitória de virada por 5 a 4 sobre o Criciúma, no estádio Orlando Scarpelli, nesta quarta-feira, serviu para deixar bem claro, mais uma vez, que o Figueirense precisa se reforçar muito para fazer uma boa série B.

Um time que tem a ambição de voltar para a série A não pode começar a disputa da segunda divisão correndo o risco de ter um sistema defensivo formado por Bruno Perone, Marcos e William Matheus.

O Criciúma chegou aos 3 a 0 no primeiro tempo porque, além do Figueira ter ido a campo com uma formação completamente desentrosada, a defesa alvinegra cometeu erros individuais grotescos. No primeiro gol, logo a um minuto, Perone conseguiu dominar uma bola de canela e entregá-la de presente para o atacante adversário. No segundo gol, foi a vez de William Matheus não acompanhar o resto da defesa na linha de impedimento e dar condições para o Criciúma ampliar o placar. No terceiro gol, Marcos não conseguiu usar o corpo para barrar o avanço de um jogador de um metro e meio num lance em que a bola estava quase saindo pela linha de fundo.

Tudo indicava que o vexame seria grande.

Aí, também para deixar bem claro, Roberto Fernandes mostrou que pode fazer um grande trabalho no Figueira. Começou a consertar o time ainda no primeiro tempo, com a entrada de Lucas no lugar de Marcos. No intervalo, botou Pedrinho no lugar de Marcelo e deu uma ajeitada geral no ânimo e no posicionamento da equipe.

O resultado foi rápido. O time começou a pressionar o Criciúma e foi a vez da defesa do time do Sul do Estado começar a confessar depois de ser apertada. Aos três minutos, Lucas diminuiu e aos 10, Dieyson fez o segundo. Depois, o péssimo árbitro Iolando Marciano Rodrigues deu um pênalti duvidoso – talvez para compensar o gol de Marcelo anulado erradamente na primeira etapa – e o Furacão Alvinegro empatou a partida com Douglas. O Figueira seguiu em cima e Lucas fez mais um, virando o jogo, aos 22. Em seguida, Marcelinho acertou um pombo sem asa do meio da rua e decretou novo empate, mas no final, Rafael Coelho, que havia entrado no lugar de Douglas, fez um golaço e fechou o placar num raro 5 a 4.

O jogo serviu ainda para deixar bem claro que um time deve ter um bom treinador, precisa estar bem preparado fisicamente, tem que estar bem organizado taticamente, mas que talento continua sendo fundamental. A partir do momento que Roberto Fernandes adicionou qualidade com a entrada de Lucas e Pedrinho e, mais tarde, de Rafael Coelho, as jogadas começaram a sair e o time conseguiu superar seus erros.

O quarto gol foi um bom exemplo. Roger fez um ótimo lançamento para Pedrinho na ponta esquerda. O meia dominou a pelota com grande categoria e cruzou na medida para Lucas finalizar para as redes. Uma boa direção fora de campo e qualidade dentro dele são as receitas óbvias para se fazer um bom time de futebol.

Agora é hora de fazer todas as mudanças necessárias e fundamentais para se ter um elenco bem mais forte para a disputa da série B. Desde a chegada de Roberto Fernandes, o Figueira tem mostrado outra cara. Foram dois empates fora de casa – que poderiam ser vitórias se o time fosse mais experiente e qualificado – e duas vitórias no Scarpelli. Com um bom elenco nas mãos, o técnico tem tudo para fazer o Furacão Alvinegro brigar pelo acesso na série B.

3 thoughts on “Para deixar bem claro

  1. Faltou comentar sobre a torcida, Ney.
    O estádio estava quase vazio, mas quem tava lá demonstrou o amor pelo Figueira. Xingando, cantando, batendo palma, fazendo ôla…
    prefiro esses 2.500 animados do que os 10 mil corneteiros secadores.

    Da-lhe Figueira.

  2. Depois do jogo, com a cabeça mais calma, entendi a intenção inicial do treinador: fazer alguns tipos de testes, afinal, o jogo de nada valia. Só que o Peperone, a 1 minuto, conseguiu estragar tudo. Claro que nas arquibancadas, eu estava abobolhado com o que via e até condenei, num primeiro momento o Roberto Fernandes. Mas decidi. Vou ficar pra ver no que dá. A cagada do Peperone, abriu a porteira e destruiu definitivamente tudo. A mão do técnico começou ainda no primeiro tempo: entrada do Lucas. Esse é craque (joga de lateral, meia, atacante, joga de cabeça erguida, chuta com as 2 pernas, faz gol, enfim, “gratissima” surpresa. Claro que a entrada do Pedrinho deu muita qualidade ao time. Rafael Coelho, se aprender a jogar de cabeça erguida, tem muito futuro e pode ser craque. E, finalmente, temos um “treineiro”. O “hômi” fez a diferença mesmo.

  3. É, ao menos conseguiram virar o jogo. Mas certamente o Figueirense tem que melhorar se quiser fazer uma campanha boa este ano. Vocês são um time bom, qualificado, espero mais de vocês este ano…

    abraço

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