Quem sabe faz a hora

É batido, mas continua valendo. Nas duas boas vitórias em casa contra o Fortaleza e o Vila Nova, o Figueirense tomou a iniciativa do jogo, manteve a posse de bola, construiu boas jogadas e chegou à vitória sem grandes sustos.

Assim como o Fortaleza, o Vila Nova era inferior tecnicamente ao Figueirense. Contra o time cearense, o Furacão Alvinegro jogou melhor, até porque estava completo, enquanto nesta sexta-feira teve quatro ausências.

Contra o Vila, o time oscilou bem mais. Começou bem, criou chances, abriu o placar em bela jogada e aí começou a atrapalhar um pouco. Defensivamente, o Figueira está melhor. A grande área alvinegra não é mais parque de diversões de ninguém, como no ano passado. Para passar pela zagueirada e a dupla de volantes, os adversários têm que suar um bocado. Nesta sexta, por exemplo, em alguns momentos, o Vila Nova – um time bem limitado, por sinal – rodou um bocado a bola, o que serve para irritar o torcedor alvinegro, mas não criou praticamente nada.

Wilson fez um gol de pênalti e marcou seu nome na história do clube mais uma vez. Toninho e Edson foram seguros. João Filipe errou mais, como já não fez bons jogos contra Vasco, Fortaleza e Juventude. Está caindo de produção. Carlinhos foi o de sempre, eficiente na marcação, complicado quando tenta construir algo. Alê compôs o meio com eficiência e fez seu gol. Fernandes fez sua melhor partida desde que voltou. Está subindo de produção com a sequência de jogos. Nesta sexta, participou mais do jogo, deu o passe para o primeiro gol e fez o segundo. Lucas fez seu melhor jogo em muito tempo e Egídio alterna bons e maus momentos, mas também esta melhorando. Clodoaldo e Ricardinho foram muito mal. Cada um a sua maneira.

A diferença entre as duas últimas vitórias em casa e as partidas contra Juventude e Bahia, fora de Floripa, foi que, no Scarpelli, o Figueirense está reaprendendo a manter o jogo sob controle. Quando sai, a equipe transfere completamente a iniciativa da partida para o adversário e isso é sempre um risco muito grande.

Não falo em se expor excessivamente, em se jogar desesperadamente para o ataque, mas sim em manter a bola, evitar ser pressionado o tempo todo, ter iniciativa de contra-atacar com qualidade e fazer o adversário se sentir ameaçado.

A partida contra a Ponte Preta será um bom termômetro. Será em Campinas, contra um adversário direto. Se ficar limitado a se defender do bombardeio, o Figueira não terá chances. Se conseguir botar a bola no chão, poderá conquistar uma vitória importantíssima para dar a moral que falta para o Furacão Alvinegro se firmar definitivamente com um time capaz de conquistar o acesso.

* Foto: Carlos Amorim

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About Ney Pacheco

Jornalista, aprendeu a amar o Figueira ainda nos tempos das arquibancadas metálicas. Viu Toninho, Marcos Cavalo, Sérgio Lopes, Pinga e Casagrande jogarem, mas tem uma vaga lembrança. Nascido em 1968 em Itu (SP), veio para Florianópolis aos três anos de idade, em 1971. Viu o time cair para a segunda divisão estadual, foi ao Scarpelli ver jogo contra o Flamengo de Capoeiras, esperou 20 anos para comemorar um título estadual e saboreou cada bom momento dos últimos 10 anos.

4 thoughts on “Quem sabe faz a hora

  1. Se mesmo desfalcado o Figueira conseguiu vencer no Scarpelli, que no início era campo neutro, agora está na hora de fazer a diferença lá fora. Concordo que o jogo vai ser um termômetro. A Ponte é candidata a uma das vagas. Jogo dos chamados seis pontos. Tem que mostrar personalidade. Nada de ser uma tragédia anunciada. Que os jogadores deixem a maracujina por conta da torcida e em campo mostrem que pretendem brigar pelo acesso. Não dá pra deixar pra depois.

  2. É isso aí Airton. Concordo contigo e com o Ney. Análise perfeita. Mas qual o segredo para não ser suicida lá fora? Entendo que seja a capacidade de marcação na saída de bola deles e de contra-atacar. Não conheço o time da Ponte Preta, mas pela campanha deve ter uma saída de bola razoável. Tentar ganhar a bola o mais próximo possível da área deles ou termos a mínima condição de articulação, posse de bola, acerto de passe, tudo aliado a uma saída de jogo efeciente; a tendência é eles abafarem a nossa saída. Vamos ter que mudar essa tendência. Como? Ousadia sem abrir o meio e a defesa. Atacantes! Ao trabalho, fechando a subida deles pela laterais para não sobrecarregar os nossos alas. No papel é bonito, mas tudo depende da performance técnica individual para o tático evoluir, segundo palavras do nosso técnico. Portanto, vamos torcer para que o time esteja num bom momento contra a Ponte. Emoção pura. "Não dá pra deixar pra depois".
    Afirmação já.

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