Recuperando o tempo perdido

Depois de perder um mês e meio de trabalho com Renê Weber, o Figueirense tenta recuperar o tempo perdido com aquele que merecia ser a aposta desde o começo.

A despeito das limitações evidentes da equipe, Márcio Goiano já mostrou em 180 minutos que entende muito mais do riscado do que seu antecessor. Conseguiu dar uma consertada na defesa – mais no Clássico do que no jogo deste domingo –, posicionou melhor o time, renovou o astral e fez o time jogar, criar oportunidades e convertê-las em gol.

Debaixo do um calor criminoso, o Figueirense poderia ter resolvido o jogo contra o Juventus antes dos 20 minutos de partida, mas desperdiçou chances demais e cedeu o empate. No segundo tempo, no entanto, o time foi mais eficiente e liquidou a fatura, fechando o placar em 4 a 1. Fez o que devia fazer, em suma.

Ainda é cedo para dizer se Márcio Goiano é o cara certo para a função. O certo mesmo é que Renê Weber nunca foi. A Goiano sobra o respeito do torcedor, a identificação dele com as cores alvinegras e o perfil vitorioso de liderança, o que já é um bom começo.

Também é evidente que o elenco é limitado para querer o título do campeonato estadual e limitadíssimo para brigar pelo acesso na série B.

E aí é que mora a primeira grave dificuldade. O prazo para inscrição no campeonato termina em 26 de março e a gestão da Figueirense Participações acaba cinco dias antes. É muito pouco tempo para grandes mudanças.

Isso porque as últimas atitudes da empresa não indicam que a preocupação maior seja resolver os problemas do Departamento de Futebol. A contratação de Renê Weber, a formação do elenco, a demora para regularizar os argentinos, e de definir a contratação de Marcelo Nicácio, as dúvidas para efetivar Marcio Goiano, a nota paga nos jornais justo no dia do Clássico e os mil ingressos a mais para a torcida do Avaí reforçam a nítida sensação de que o futebol vai do jeito que der.

Assim, o negócio é Márcio Goiano aproveitar os dois jogos finais do turno, contra a Chapecoense na quarta-feira e Criciúma no sábado, e as duas semanas de folga depois disso – não acredito na classificação para as semifinais – para acertar a equipe tática e fisicamente.

A continuidade da reação que começou no clássico passa por um grande empenho dos jogadores, um grande trabalho de Márcio Goiano e de um grande apoio dos torcedores. O que se quer da Figueirense Participações é que atrapalhe o menos possível, que respeite os fóruns de decisão do clube, aceite que está saindo por sua própria vontade, negocie o que considera seus direitos sem paralisar o Figueirense através de uma briga judicial e saía quando disse que ia sair: 22 de março.

Este é um tema que pretendo voltar a abordar nos próximos dias. Sei que estou devendo um post sobre a coletiva da comissão de transição realizada na última sexta-feira. O blog do Tainha e o Meu Figueira já fizeram seus relatos. Em breve darei meu pitaco a respeito.

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About Ney Pacheco

Jornalista, aprendeu a amar o Figueira ainda nos tempos das arquibancadas metálicas. Viu Toninho, Marcos Cavalo, Sérgio Lopes, Pinga e Casagrande jogarem, mas tem uma vaga lembrança. Nascido em 1968 em Itu (SP), veio para Florianópolis aos três anos de idade, em 1971. Viu o time cair para a segunda divisão estadual, foi ao Scarpelli ver jogo contra o Flamengo de Capoeiras, esperou 20 anos para comemorar um título estadual e saboreou cada bom momento dos últimos 10 anos.

4 thoughts on “Recuperando o tempo perdido

  1. cada vez mais chego a conclusao que é muito facil fazer futebol.
    bastou ter um tecnico com liderança que nao fica com os bracos cruzados,um meia como o bilu que hoje ja nao é nenhuma brastemp e um atacante de verdade”willian”e ja estamos muito proximos das “supermaquinas”avai e joinville.
    vou reforçar o que escrevo quase todos os dias,times como o nosso FIGUEIRENSE nao tem necessidade de ficar na mao de empresarios,quando a FP for embora e com um bom diretor de futebol temos como montar bons times sozinhos.

  2. “Também é evidente que o elenco é limitado para querer o título do campeonato estadual e limitadíssimo para brigar pelo acesso na série B.”

    “E aí é que mora a primeira grave dificuldade. O prazo para inscrição no campeonato termina em 26 de março e a gestão da Figueirense Participações acaba cinco dias antes. É muito pouco tempo para grandes mudanças.”

    “O que se quer da Figueirense Participações é que atrapalhe o menos possível, (…)”

    Pronto. Está aí o resultado da quebra de compromisso da FPSA. Está saindo pela porta dos fundos.

    Vamos ter muito cuidado com essa vitória sobre o Juventus, para não mascarar os problemas que temos. Alguns o Márcio Goiano parece estar se encarregando de arrumar, como: 1) tirar o Maicon do time e substituindo-o por uma revelação da base (Firmino), que tem tudo para conquistar com desenvoltura a posição; e 2) implantar o sistema com três zagueiros. O resto, praticamente, foge da sua alçada, como: 1) contratação de um terceiro zagueiro experiente; 2) estabelecer concorrência para a titularidade nas alas; 3) dispensar o Maicon, o Coutinho, o Ernane e o Marquinho; 4) contratação de mais três meias, um primeiro e um segundo volante para a reserva do Jeovânio e do Bilu e outro meia articulador experiente para revezar com o Fernandes e o Firmino; 5) definir quem virá para o lugar do Nicácio. Se não quizerem nos ouvir, tudo bem! Mas tem que ter alguém antenado para dar continuidade decente ao projeto do segundo turno; caso contrário e sem essas providências, esse resultado de hoje é ilusório, contra o laterna desfalcado e dando susto. O Márcio Goiano sozinho ou qualquer outro competente e consagrado técnico do Brasil não conseguirão dar conta do recado. Os problemas estão na cara; falta ação; mais uma vez! Como disse certa vez o Ney Pacheco: “Ainda estamos em 2008?. Possa haver quem entenda que isso seja pessimismo. Eu entendo que isso é ser realista!
    Parabens pela clareza e objetividade meu caro!

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