Taticamente melhor, tecnicamente muito ruim

Este blogueiro não é muito de ficar enchendo a bola de técnico. Acredita até que se exagera na importância do treinador para uma equipe. Tirando um ou outro que realmente faz diferença no futebol brasileiro, temos, na verdade, um monte de profissionais basicamente do mesmo nível.

É preciso, no entanto, reconhecer que Roberto Fernandes começou muito bem seu trabalho no Figueira. Com enormes limitações no elenco, o técnico conseguiu terminar o campeonato estadual com bons resultados e lampejos de bom futebol. Talvez, se tivesse chegado antes, poderia até ter beliscado uma vaga no quadrangular semifinal.

Na partida desta quinta-feira contra a Ponte Preta, o Figueira foi, na maior parte do tempo, um time organizado e com um bom bloqueio defensivo. Fernandes posicionou Roger como um terceiro zagueiro, deu liberdade para Lucas flutuar pelo campo todo e fixou Anderson Luís na ala direita. O time teve uma chance logo no início da partida, mas a bola caiu nos pés de Bruno Perone e, obviamente, o gol não saiu.

A equipe não criava muito. Juninho estava tímido pela esquerda e tinha que dar conta da jogada da forte da Ponte Preta, com os avanços do velho conhecido Edilson, que começou no Avaí. Anderson Luís exibia sua mediocridade habitual e Pedrinho estava apagado.

Por outro lado, o time corria poucos riscos na defesa. A Ponte só ameaçava através de escanteios e faltas laterais que o árbitro gaúcho insistia em marcar perto da área alvinegra. Só que a contusão de Bruno Octávio na metade do primeiro tempo complicou a situação. Se Roberto Fernandes já teve dificuldade em escalar um onze competitivo com o que tinha à disposição, perder um dos bons jogadores do time traria prejuízos. E eles logo foram sentidos. Saiu Bruno Octávio, entrou Schmoller e saiu também o primeiro gol da Ponte Preta, depois de uma falta inexistente marcada perto da área do Figueira pelo lado esquerdo da defesa.

Mas aí o Furacão Alvinegro mostrou outra virtude que estava ausente há tempos do Scarpelli: poder de reação. Foi assim no jogo contra o Criciúma, quando virou para 5 a 4 depois de sair perdendo por 3 a 0 e foi assim nesta quinta-feira. Logo depois de sofrer o gol, o empate veio numa jogada que envolveu Lucas, Rafael Coelho e Schwenck. Minutos depois, o time teve a chance de fazer o segundo, mas Aranha fez grande defesa depois do cabeceio de Schwenck.

Fernandes tentou dar mais ofensividade ao time e voltou do intervalo com Jairo no lugar de Juninho. Foi seu único erro. Se Juninho estava tímido, Anderson Luís na ala esquerda foi um desastre. O prejuízo pelo setor só não foi maior porque logo depois Edilson mostrou que continua sem juízo e foi expulso após fazer falta violenta em Pedrinho.

O problema é que Jairo entrou muito mal. Aliás, aquele bom futebol nos últimos três jogos da série A do ano passado foi apenas uma amostra grátis? Foi um grande momento que não se repetirá? Sim, porque Jairo está devendo muito futebol em 2009.

Fernandes posicionou o time em duas linhas de quatro. O problema é que o quarteto defensivo era formado por Schmoller, Perone, Dieyson e Anderson Luís. Não há time que agüente uma defesa dessas, mesmo com o adversário com um a menos em campo.

Aí o técnico resolveu ir para o tudo ou nada e tirou Anderson Luís para botar Marcelo, que passou a jogar como um ala direito. A Ponte passou a só se defender, mas achou um gol numa cobrança de falta magistral. Logo depois, o Figueira empatou com Rafael Coelho, mas o que havia de organização tática e de sangue frio se esvaiu. O time começou a errar demais e a dar seguidos contra-ataques para a Ponte, que só não venceu o jogo porque o goleiro do Furacão Alvinegro se chama Wilson.

Se o Figueira recuperar alguns jogadores contundidos ou que ainda não estrearam, como Anderson Pico, e, principalmente trazer reforços e botá-los em condições de jogar a partida da volta, daqui a duas semanas, tem chance de eliminar a Ponte, mesmo em Campinas. Se, no entanto, viajar com uma formação muito parecida com a que entrou em campo nesta quinta-feira, a classificação será uma tarefa hercúlea. Quase um milagre.

One thought on “Taticamente melhor, tecnicamente muito ruim

  1. Com este time e as contratações que foram anuciadas brigaremos para não cairmos para a serie C.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

*

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>