Por volta das 13h30 de domingo sai de minha casa por causa de um compromisso e num boteco perto, um cidadão com a camisa do Flamengo botava um bandeirão rubronegro no capô do carro. Minha vontade foi berrar “Taissshhhh indo pru Maraca, mermão?”, mas achei melhor não inticar com a criatura.
Nasci em Itu (SP) no longínquo ano da graça de 1968, vim para Florianópolis em 1971, meu pai é paulista, minha mãe, florianopolitana. Meu pai adora futebol e era corinthiano. Notem o tempo do verbo: era. Chegou aqui, a família da minha mãe toda alvinegra do Figueira, se identificou com as cores, com a torcida, e adotou o clube como seu. Hoje quer que o Coringão se lixe nas ostras.
Comecei a gostar de futebol na Copa do Mundo de 1974, aos seis anos. Por influência familiar virei Figueira, paterna, corintiano, para conviver com os colegas de colégio e amigos da cidade, adotei o Flamengo, por causa do Zico, como meu time carioca.
Torcer para time do Rio fazia parte dos usos e costumes da cidade. Mais da metade do ano era gasto com o campeonato estadual. A outra quase metade com o Brasileiro. Torcer para os três não causava conflito nem era excludente. O campeonato nacional tinha 50, 70, 90 clubes, cheio de grupos e fases. O Figueira enfrentar um dos dois era uma raridade.
Na década de 80, a situação piorou para o Figueira. Para disputar o brasileiro precisava ganhar o estadual. O Figueira não ganhava o estadual, logo nada de brasileiro, logo nada de jogar contra Flamengo ou Corinthians. Registre-se, no entanto: não me lembro de ter deixado de ir ao Scarpelli para ficar em casa vendo um jogo de um daqueles dois times pela TV.
Só que lá pelos anos 90, já mais velho e mais ligado, um alarme começou a soar na minha cabeça. Primeiro, acho que foi em 1993, quando o Corinthians montou um time com Rivaldo e Zé Elias e lançou Mário Sérgio como técnico. Na última rodada antes da decisão do campeonato nacional, o Corinthians precisava vencer o Santos e torcer para o eliminado Flamengo batesse o Vitória-BA para fazer a decisão contra o Palmeiras.
Meus fanáticos amigos manezinhos rubronegros queriam mais que o Flamengo entregasse o jogo para ferrar o Corinthians. Comentei que as torcidas dos dois times eram aliadas. Eles riram da minha cara. Ora, qualquer torcedor rubronegro da gema sabe que a “magnética” se alia à “fiel” enquanto os vascaínos se juntam aos palmeirenses. É a geopolítica da guerra das arquibancadas. Aqui, não faziam a menor idéia disso. Eu devia tê-los levado a um derby entre Corinthians e Palmeiras e tê-los soltado no meio da Mancha Verde com uma camisa do Flamengo para aprenderem enquanto contavam os hematomas e ossos quebrados.
Logo depois, prestando atenção no noticiário, percebi que o Globo Esporte gastava dois ou três minutos – uma eternidade em termos de TV – para mostrar que o Obina da época tinha feito dois ou três gols num treino do Flamengo. Era uma overdose de cobertura.
Quando o Figueira chegou à série A qualquer resquício de simpatia por esses clubes foi eliminado do meu sistema. Foi só perceber o desprezo, o desconhecimento, a ignorância dos comentaristas e torcedores dos grandes centros com relação aos times daqui para deixar de lado qualquer simpatia por alguma outra agremiação.
Entendo os costumes culturais da cidade. Entendo que o litoral catarinense cresceu rápida e desordenamente nos últimos anos, abrigando muita gente vinda de outros estados. Não posso, no entanto, deixar de lamentar profundamente que uma pesquisa (Impar, feita pelo Ibope para a RIC-Record) comprove que o Figueira tenha a maior fatia entre os clubes de Santa Catarina e mesmo assim sua torcida seja três vezes menor que times de fora do estado, como Flamengo, Grêmio e Internacional.
Sou daqueles que acham que a paixão por um clube se realiza no estádio. Fica difícil entender como alguém torce para um time pelo qual precisa pegar um avião para ir ver jogar em casa. Fica mais difícil entender como alguém que nunca botou os pés na cidade-sede daquele clube possa torcer para ele, como acontece aqui.
Ainda mais sabendo que para o carioca médio para cima de Minas Gerais todo mundo é paraíba, que para o paulista médio, para cima de Minas é tudo baiano, e que, para ambos, do Paraná para baixo é tudo mundo gaúcho. Não há como se identificar mecanicamente com o pessoal do eixo Rio-SP.
Em março do ano passado, escrevi o post Terra de ninguém, a respeito da cobertura televisiva dos jogos dos times de Santa Catarina. A discriminação prossegue. Os clubes do estado devem lutar para que seus jogos por competições nacionais sejam transmitidos por TV aberta para todo o estado. Isso vale para o Figueira, para o time do Sul da Ilha, para as equipes do interior. Avaí e Chapecoense são os representantes de SC na Copa do Brasil de 2010. Que os jogos deles sejam transmitidos para todo o estado, portanto. Quem não quiser ver que desligue a TV ou procure na internet ou na tv a cabo outra partida para assistir.
Quem sem pensar vira um torcedor fervoroso de um dos times do eixo, simplesmente enfraquece ainda mais os clubes de sua cidade e de seu estado. Para os grandes clubes brasileiros e para os grandes meios de comunicação, seria muito bom se só existissem no máximo 20 clubes no país. Ganhariam na economia de escala, monopolizando o mercado. Enquanto isso, o resto morre à míngua. É ótimo para alguns, péssimo para o futebol brasileiro como um todo.
No Nordeste (veja as fotos), o pessoal está acordando. E aqui?
Perfeito Ney
Sempre quis escrever sobre.
Esse tema rende muito mais.
Continuando com as os jogos finais do
carioca que passavam na Globo e por aí vaí.
Um dado regional, o maior ibope da RBS SC
foi na final da Copa do Brasil(NOSSA), então mesmo que devagar, eles vão dar valor pra nossa terra, ou a gente que mude de canal.
Um forte abraço
Rende muito mais mesmo, Maurício. Um post só não dá conta.
Manda bala!
Ney, sei que voce ja se consider Catarinense, mais SC tem um problema de ser dominado por imigrantes Gauchos e Cariocas, não tem jeito, acaram com nossa farra de Boi e trouxeram a genetiada a diferença é que é a cavalo, e torcer para os times do Rio por que teve uma divulgação aqui muito grande.
Sou manezinho, JB. Essa é a minha terra.
Abraço.
belas atitudes das torcidas do nordeste.
senao me engano no jogo do Goias x Sao paulo esse ano tambem tinha uma faixa apontando pra torcida do sao paulo, que era maioria no estadio, dizendo que eles eram a vergonha do estado ou algo parecido.
claro que isso nao vai fazer com que o mistão pare de torcer pro seu outro time, mas acho que quanto mais atitudes desse tipo, mais os caras vao sentir vergonha de torcer pra um time que sequer pisaram no estadio.
nao consigo entender como que um cara que nasce aqui consegue torcer pro flamengo, ter camisa, bandeira etc. nao consigo entender como essas pessoas conseguem se sentir parte da historia do time, sabe.
quando eu era pequeno eu tbm torcia pra time de fora, no caso o vasco, por causa do meu avô. depois de 96 quando ganhei uma camisa do Figueira do meu pai virei figueira e vasco, e depois que me associei em 99 virei só Figueira. hoje tenho vergonha de ja ter “torcido” por esse time e quero mais que ele se exploda.
acho que daqui uns anos isso vai acabar. pelo menos na minha familia todas as crianças torcem só pro figueira ou havai. prefiro que torçam pro havai que pra um time de fora.
Também sou de um longínquo ano do século passado (credo, parece história de múmia) e torcia tanto pelo Fluminense lá (todo mundo tinha um time carioca para torcer) como pelo Figueirense aqui. Hoje, só a paixão alvinegra é que me tira do sério. Mas não dá para enfrentar essa mídia nacional poderosa e nem essa avalanche de turistas que vieram pra cá e ficaram, sem reconhecer que continuamos em desvantagem. Há menos de um ano uma pesquisa apontou que os manezinhos autênticos só representavam 51% da população da Ilha. Somando-se ao fato de que não somos uma metrópole e o interior nos odeia por termos as mais belas praias do mundo e aí fica explicado o porquê de não termos a identidade forte que desejaríamos. E isso não se dá só aqui. Não é privilégio nosso. Basta olhar a TV nos jogos de outros Estados. Mas isso pouco importa, na verdade. Danem-se os outros. Que façamos por merecer novos torcedores. Começando por sair do buraco em que nos metemos. O torcedor só vai encher a boca de orgulho pelo seu clube quando este tiver um time de verdade que se faça respeitar. Nosso presente, por enquanto, não nos credencia a exigir mais da mídia nem a admiração de quem está em dúvida para quem torcer. E precisamos ficar atentos com as ações desses parceiros que arranjamos. Sem time à altura de nossas tradições, não há tesão que resista.
ney, essa é a maior vergonha de SC, já vi gente de fora rir de nós pelo povo daqui torcer pra dois times.
só discordo quando tu fala que isso se deve ao numero de pessoas de fora no estado, se tu for ver a grande maioria dos “cariocaxx” são catarinenses.
Acho que tudo isso se deve a mídia, grandes clubes só são grandes clubes pela influencia da midia nas pessoas. Se tu questionar uma pessoa que torce pra time de fora ela vai te dizer que não vale a pena torcer pra times daqui pq eles não ganham nada.
dai que vem a pergunta, por que os times daqui não ganham nada? Falta de apoio, tanto da imprensa quanto do povo daqui.
E além disso eu torço pro meu clube que representa minha terra e minhas origens e não para uma taça que com o tempo enferruja.
PARABÉNS, eu vejo que não estou sozinho em relação a isso, eu acho uma vergonha como as pessoas comemoram o titulo de Flamengo, Vasco, Corinthians… e por aí vai, fora a “gauchalização” que é imposta pela RBS.
Ney, tirasse as palavras de minha boca. Ontem mesmo estava conversando com amigos meus sobre isso, carreatas de flamenguistas aqui em Floripa, é nojento isto. São Hipermercados vendendo calcados de times cariocas e gauchos e “NENHUMA” dos times da capital. É vergonhoso isso. Temos que acabar com esta tradição antiga. Hoje temos dois times que podem estar na Série A e mesmo assim continua isto. Que o Flamengo seja a maior torcida do Brasil, mais com torcedores do Rio de Janeiro, não daqui!
Ney, perfeita esta observação.
Eu sou nascido em Lages, rodei o pais até parar em Floripa. Meu falecido pai era torcedor e dirigente do Inter de Lages (nos bons tempos) e torcedor do Vasco.
Sempre tive simpatia por estes times – Inter de Lages e Vasco, mas ai descobri um amor platônico, algo que não conseguimos explicar e o Figueirense Futebol Clube entrou na minha vida pra sempre. Ponto final.
Eu, como voce e grande parte do pessoal aqui é de fora, ou conhece gente de fora, mas uma coisa, sou cidadão de Florianopolis com muito orgulho, tenho amor por esta ilha e cuido dela e COMBATO quem a quiser denegrir.
Sou da opinião, que se aqui em Florianopolis é ruim, volte pra terra de onde veio.
Se aqui tem gente que o incomode, volte pra terra de onde vc brotou.
Que aqui somos atrasados, volte pra civilização.
Que aqui a coisa é devagar, volte pra rapidez.
Florianopolis e SC em um todo não precisa de gente que não veio pra acrescentar.
Pode soar como Homofobia, mas não é, pois se rejeitamos gente de fora, porque podem fazer isso conosco, é coisa de reciprocidade.
Mas ai que vem o seguinte ponto, as nossas crianças, nossos filhos que agora são manezinhos e que TEM de aprender a gostar desta terra e os valores tanto culturais, gastronomicos e futebolisticos. É nosso dever de cuidar disso, leva-los aos estadios, deixar que aprendam a gostar de coisas da terra, que saibam o prazer e a diversão de se ir a um estadio local, apenas nos basta pegar um onibus, ir a pé, dar boas risadas e ver nossos amigos de todos os dias, gente da terra, gente querida e alvinegra.
Abs
Arruda
Ney Pacheco disse:
08/12/2009 às 00:49
Sou manezinho, JB. Essa é a minha terra.
Melhor ainda, uma satisfação maior, saber que alem de Alvinegro, é mane, boa.
Cara, tirasse as palavras de minha boca. Achava que éra o único a pensar assim. Estou morando a mais ou menos 1 ano na cidade de Santa Rosa do Sul, que fica no extremo sul de SC. Sou florianópolitano e alvinegro fanático. Fico indignado com a população do sul do Estado. Aqui não se vestem como catarinas, não se come como catarinas, e principalmente, não se torce por um time de SC. Já me envolvi em dezenas de discussões aqui com essa cambada de Cataúchos (catarinense + gaúchos) sem identidade. Se amam tanto o Rio Grande, que vão morar para aquelas bandas. Falam mau de nossas tradições, riem de nossos times, mas não saem daqui por nada nesse mundo. Estou farto, ainda bem que não sou o único a pensar assim. Não me importa a série que nos encontramos, amo mais o FIGUEIRA do que muita coisa em minha vida. Fora cataúchos e fora metidinhos a cariocas da gema. Sou mais minha maravilhosa Santa Catarina e meu time “mediocre” como dizem por aqui. Se a pessoa vem de outro estado, tudo bem continuar a torcer por outros times, mas nao da para aceitar um cara que nasce no estreito torcer por outro time e ainda rir quando falamos de nosso alvinegro como se fossemos a “COSTA DO MARFIM” comparados ao BRASIL. Era nosso time “medíocre” que detonava os gaúchos em pleno beira-rio. ERa esse “timinho” que pegava o atual campeão brasileiro e sempre humilhava. Vão com DEUS estrangeiros, não precisamopsde voces por aqui. Saudações ALVINEGRAS, com todo orgulho desse mundo. FIGUEIRA EU TE AMO.
Ney, valeu o tratado sociológico aí. Talvez Freud explique. Comecei a torcer pelo Figueirense durante o campeonato estadual de 1972, aos dezessete anos, por influência de minha família e pela afinidade alvinegra com o Botafogo, time de centro polarizador das atenções do futebol em outras épocas. O fervor da paixão pelo Figueira foi imediato, a exemplo do desapego a qualquer preferência por times de outras terras que não fosse a minha. Não consigo ter outro vínculo de torcedor de futebol que não seja pelo Figueirense. O time daquele ano vou tentar lembrar: Ilo; Pinga, Jailson, Moenda e Vacaria (oriundo do Internacional para onde retornou com destaque); Adailton (ex-Metropol e São Paulo), Pelezinho (depois passou a se chamar Souza no Avaí, como lateral direito) e Luiz Éverton; Caco, Tião Marino (artilheirasso oriundo do Corinthians) e Land (oriundo do Internacional). O esquema era o tradicional 4-3-3. Tínhamos no grupo ainda expressões como Carlos Roberto (meia esquerda e lateral – recentemente foi treinador dos juvenis), Britinho (criado na base e depois se destacou no Joinvile) e Quincas (oriundo do Vasco). Neste ano fomos campeões sob a batuta do treinador Jorge Ferreira (vindo do Olaria-RJ) e sob a presidência de José Mauro da Costa Ortiga, cuja gestão foi um divisor de águas na história do Clube, sucumbindo com o seu falecimento, como também foi divisor de águas a atual estrutura na última década, não se pode negar, apesar do desgaste e falência de modelo admitida pelo seu próprio dirigente. Aos que se empolgam em torcer pelo futebol de fora da sua terra só nos resta lamentar que se deixem influenciar pela grande mídia.
Caro Ney. Perfeitissima tua colocação. Sempre pensei e defendi a mesma coisa, porém, uma desfesa nada profícua. Tbm passei o mesmo que tu por times de fora, que nem vou descrever, pois na minha cabeça, coração e alma, já morreram, dando lugar EXCLUSIVO ao FIGUEIRENSE. Pena que a maioria não pensa assim.
Parabéns pelo exclente artigo.
Como sempre certo Ney!!!!!
Quando criança dava uma importancia imensa
ao Flamengo,depois de crescer(notado na adolescencia)ví que o meu time é o Figueira,não há espaço para outro time.Neste domingo notei isso com maior força fui até a Coloninha assistir a uma apresentação da minha noiva e nem me lembrava que era dia de final de brasileirão e menos ainda que era jogo do Flamengo!!!!Somos Figueirense até morrer!!
Só pra constar Ney hoje tenho 30 anos!!!
Ney, teu melhor post. Sempre quis tocar nesse assunto, e já toquei(?). Aqui no Sul do Estado não conheço UM torcedor de time do Estado, porra, e aqui tem o Criciúma. Os caras que vão para Floripa, Criciuma ver jogo e, torcer, pelo Vasco, Flamengo não merece um pingo de respeito. Não entendo porcaria nenhuma de futebol. Os caras nunca foram a cidade do time de coração deles! Não conhecem nem o Estádio! Aqui o retardado torce para o Inter, declara amor e faz piada de Gaúcho. Torcer para um time é muito mais que futebol.
Abraço guru mestre!
Apenas para ilustrar uma familia aqui do Sul. O pai é Corintiano, o filho torce pelo Atlético Mineiro e a filha é Flamenguista. Vai entender…
Mais absurdo ou ridículo do que ver gente morando aqui e só torcendo para times de fora é saber que o ex-nosso Rafael Coelho é Vasco desde criancinha. Eu gostava de seu estilo mas… já foi tarde. Precisamos de gente identificada com o clube. Precisamos de mais 10 Fernan10. É urgente que se faça um bom trabalho também nesse aspecto com esses jovens que hoje vestem a camisa do Figueira e amanhã poderão ser titulares. O pior jogador não é o perna-de-pau. É o que não está nem aí para o clube ou pouco se importa com ele.
Caro Ney,
A primeira vez que entrei no Scarpelli foi em 1971. Ainda não tinha arquibancada metálica. Assisti muitos clássicos no Adolfo Konder na década de 70. No mais marcante,um massagista do Avaí de nome Afonso, entrou em campo para imepdir o terceiro gol do Figueira que seria marcado pelo Neilor. Era torcedor do Flamengo, meu pai do Vasco e meus irmãos do Fluminense. No Estado, tres corações alvinegros e um avaiano. Em 2001, o amor pela terra, o orgulho do acesso do Figueira e a discriminação de muitos, me fizeram esquecer o Flamengo. Domingo passado, assisti Coritiba x Fluminense. Afinal de contas, sairia dali provavelmente um adversário em 2010.
Saudações alvinegras
Gostei muito do post e das ideias.
Discordo um pouco, mas bem pouco, com relação a torcer para 2 times, e com torcidas contrárias. Mas cada caso é um caso.
Eu nasci em Curitiba, e com 2 anos vim morar aqui em Floripa. Mas ia pra lá todo ano, direto. Meu pai me influenciou a torcer para o Coritiba, que continua sendo meu time, que torço e sempre torci.
Quando criança, era “coagido” pelos amiguinhos a torcer para um time do RJ e um de SP (como tu bem colocou). Acabei optando pelo São Paulo e pelo Botafogo. Não conseguia optar entre Avaí e Figueirense, e acabei por um tempo até esquecendo o Coxa.
Claro, o tempo passou e cresci, pensei, refleti. Hoje não me digo mais torcedor do São Paulo, muito menos do Botafogo. E consegui optar pelo Figueira, afinal, moro aqui desde criança, tenho que valorizar os times daqui. Sei que a torcida do Avaí é amiga da do Coxa, mas achei sempre a torcida do Avaí muito convencida, arrogante, secadora demais. Impossível torcer pra um time assim. E o Figueira é diferente, torcida gente boa, raçuda, mais esclarecida.
Por isso tenho hoje 2 times, e tem sido um ano triste pra mim por saber que ano que vem meus 2 times vão disputar a série B.
Mas reforço: vou frequentemente a Curitiba, conheço a torcida e o estádio do meu time. Não “adotei” um time de fora por saber que tem mais títulos (por aqui todo mundo quer torcer pro time que está ganhando, foi assim que a torcida do atlético-pr cresceu tanto – após o título de 2001).
É parecido com meu caso, Eduardo. Só que eu fui perdendo os vínculos com a terra natal com o passar do tempo, enquanto tu os mantivesse.
Conheço gaúchos que vivem aqui há 20 ou 30 anos e passaram a torcer pelo Figueira, mesmo mantendo sua simpatia original pelo Inter, no caso deles.
O grande nó dessa história são os catarinenses que não identificam com a própria terra em que vivem e aí vão torcer para clubes cuja história mal conhecem.
Um abraço,
Ney
Prezado Ney,
É bom ler histórias que estão de acordo com o pensamento que tenho e que muitos têm adquirido nos últimos anos. Assisti ao primeiro jogo do Figueira em 1971 (contra o Ferroviário de Tubarão), e como era Botafogo, óbvio que me identifiquei com as cores. Durante muito tempo foi possível a coexistência das paixões: o Botafogo a nível nacional e o Figueira para consumo interno.
Com o acesso do Figueirense à Série A, esqueci o Botafogo (até hoje meus amigos estranham) a tal ponto que nunca mais torci a seu favor, a não ser quando sua vitória viesse a favorecer o Figueirense.
Somos daqui, vivemos aqui, podemos influenciar nossos clubes e ajudá-los a crescer. Chega de aceitarmos o imperialismo da mídia do eixo (e do RS, também) de querer nos impor suas culturas.
Vamos valorizar nossas raízes e o que é nosso.
Um abraço e parabéns pelo post.
Caro Ney:Otimo post,como todo manezinho
a minha familía,não poderia ser diferente. Os meus pais são havaianos e a maioria dos meus irmãos também!
Obvio, que todos tem paixão pelo Flamen-
go,São Paulo e Palmeiras. No meu entendimento amor verdadeiro, é apenas um! Sou Alvinegra amo o meu FIGUEIRENSE!
Os meus filhos, são ALVINEGROS
Apenas para completar:Depende de nois ensinar aos nossos filhos,que devemos amar o que e nosso,
e não o que e dos outros!!
Culpa nossa, que engole Grenal transmitido para todo o Estado. Que aceita que jogos de clubes daqui passe apenas para a região e não para toda Santa Catarina etc..
Quando aprendermos a nos valorizar, então poderemos exigir que nos valorizem.
Mas nossa cultura é valorizar o que vem de fora e desdenhar o que é nosso.
Vide o comportamento de boa parte de nossa torcida, em relação ao jogadores da base.
Em outros setores da vida profissional, já ouvi falar que médico bom é o fulano porque veio de São Paulo, ou do Rio assim como já ouvi dizer que fulano não pode ser bom médico porque era filho do seu zezinho, um guri que até pouco tempo estava brincando na rua.
Esse comportamento resignado, de aceitar tudo que vem de fora como melhor do que o que temos, me envergonha.
Giovani
mto bom!!!
éh quase impossível achar alguém só alvinegro ou só avaiano…
qdo nasci,por influncia de um amigo do meu pai paulista,acabei me apegando ao são paulo…
mas meu pai,q torcia para o botafogo e pelo figuera(meu vô era do rio, mas veio pra cá e residiu na marinha do estreito, tornando-se figueirense..)me fez ter um apego com o alvinegro.(sc)
sempre torcia pelos dois, mas a primeira vez que fui num jogo sp x fig…ao lado da gaviões,não tive dúvidas qto ao meu time do coração!!!
essa tradição de dois times vem de antes, qdo nossos clubes não apareciam na mídia nacional. íamos ao jogo do figuera no catarinense e qdo voltavamos iam direto pra tv ver como foi o outro time….
MAS AS COISAS MUDARAM. creio eu que aos poucos,ás “gerações”,essa cultura se extingua(q assim seja).
não tem cabimento deixar nossos times de lado para torcer por outros “maiores”,senão formos aos estádios, empurrarmos o time e seu capital, para que possa crescer tbm…
essa é minha opinião desculpe qqer coisa.
abraço
Excelente post!
Nós só deixaremos de ser o 0 da 101 quando fizermos a nossa parte.
Sou manezinho, nascido e criado no continente, tenho 37 anos e faço a minha parte, valorizando o que é nosso e ensinando às minhas filhas o que acredito ser correto.
Fui criado em berço Alvinegro/Rubro-negro, mas consegui me livrar desse ranço cultural a partir do final da década de 90, sendo e ensinando a ser apenas ALVINEGRO.
Temos que passar adiante esta ideia, estimulando principalmente nossas crianças e com isso com certeza acabaremos com essa maldita herança que nos foi deixada.
Mas uma mãozinha da diretoria cairia muito bem em nossas pretenções.
Saudações Alvinegras!!!
Ilustrado e lúcido Ney: sinto, no ar – consequência, por certo, do lancinante sofrimento que, de 2008 para cá, vem nos fustigando -, um cheiro, algo fétido, de xenofobia e patrulhamento. Repilo, “data venia”, ambas as posturas, seja no campo ideológico/partidário, seja no futebol.
O brilhante jornalista permite que discorra, neste espaço, apenas sobre o NOSSO Figueirense querido?
Solicitando paciência, opino.
Pior que a angústia da indefinição – tema que o prezado Diego Simão aborda, aflito, em seu blog de hoje -, caro Ney, é, penso, a pressa. Afora a notória incompetência de nossa direção de futebol, tenho que a sofreguidão por contratar – Ueta, Juninho, Wellington, só um exemplo – também tem parte, importante, nos sucessivos fracassos.
Deposito grandes esperanças no Conselho Deliberativo, composto por apaixonados e que tem à frente um alvinegro apaixonado, o Dr. Nestor Lodetti. E ele, Lodetti, tem sido enfático em todas as entrevistas que vêm concedendo: o futebol do Figueirense vai voltar ao comando do…Figueirense! A reconciliação time/torcida, após penoso divórcio, está próxima. O futebol deixará de ser “apenas um negócio”, o componente imprescindível da PAIXÃO está em vias de regressar.
E a solução – penso eu, humildemente – está ao alcance de nossos olhos, aguardando na ante-sala. A solução é caseira, Ney Pacheco! Que venha o Cláudio Duarte – sabe tudo de futebol, é conhecido nacionalmente e é disciplinador, impõe respeito. Que venha o Mauro Ovelha, para quem o Figueirense é top de linha. Nada de treinadores de fora – Márcio Fernandes, Zetti e outros -, que não conhecem a realidade do nosso futebol. Que venham jogadores para os quais vestir nossa camisa é quase um sonho. Penso em Basílio, Luiz André – primeiro e segundo volantes(o Basílio pode ser aproveitado como quarto-zagueiro, também) que correm, se preciso, 180 minutos, se matam em campo, não se entregam nunca – e Tony(Lucas, que não acerta um cruzamento e acha que é craque, fora de cogitação!), das Chapecoense. Penso no Asprilla, um guerreiro com forte personalidade e imposição.
Vamos, Ney, jogar como se joga no Sul do Brasil – com garra, brio, indignação, entrega total, ocupação de espaços, velocidade. Até porque, sem essa filosofia, não poderemos – estou pensando na frente, Séries B e, depois, A -, nosso caixa não comporta, enfrentar, só na técnica, um Sport e um Coritiba, por exemplo, ambos do Clube dos Treze.
E tudo isso – peço tua especial atenção – a baixo custo – são atletas na faixa salarial de 10, 15 mil reais por mês, e olhe lá. Muito menos do que os que aqui estiveram este ano, com seus passeios e baladas – sem qualquer compromisso com o Clube.
Somados ao Wilson, Jeovânio, Fernandes e Schwenck(jogadores-chave, em minha opinião), formaremos, enfim, um time e elenco verdadeiramente competitivos.
Será, em síntese, a recuperação de nossa identidade dentro de campo, o êxito é consequência inafastável.
Desculpe o “jornal” e um forte abraço em preto-e-branco!
nasci na carlos correia;adoro ostra ; meu pai veio de criciuma ha muito tempo; entrei no estadio pela primeira vez(nao riam) quando tinha bingo;sou socia;ja fui a jogo do figueira contra o guarani da palhoça num sabado a noite; chorei na final da copa do brasil;chorei quando caimos;chorei quando nao subimos;e um amor muito grande; e muita gente de fora; trabalho numa local que vende produtos de times de outro estado; ja vi clientes pedirem coisas do figueira e dizer que nao tem e triste; nao largo o figueira por nada; o amor e grande demais agora pode deixar de existir ; ai vai ficar no coraçao.
A influência da TV com doses maciças de propaganda em favor dos grandes clubes faz com que torcedores neutros optem por escolher clubes de fora. Só que arrisco dizer que nem todos os grandes clubes são de fatos grandes. Basta ver o quadro associativo. Flamengo e Vasco não tinham mais que 3 mil sócios há 2 anos atrás.
Ney, acho que na foto não é o Sport e sim o Vitória. Na legenda está Sport, mas não é.
Corrigindo: é Sport, sim.