Cleiton Xavier não é craque, mas está numa fase iluminada. Mostrando uma inesperada vocação artilheira, lidera a equipe em campo, faz gol de fora e de dentro da área, arma o jogo, contribui na marcação. Faz quase tudo, em suma. Está batendo um bolão. No sábado, fez dois golaços. O segundo, principalmente, foi uma pintura por toda a jogada. A arrancada, o pivô feito por Bruno Santos e o tapa de Cleiton por cima do goleiro. Uma maravilha.
Apesar do estadual não ser o parâmetro ideal, Cleiton deve estar jogando como nunca jogou na vida. E aí fica a pergunta: vale a pena sair do Figueira nesse momento?
Tá certo. É um profissional, a carreira de jogador é curta, cheia de imprevistos e percalços. Tá certo que centenas de times pelo mundo todo podem pagar mais do que ele ganha no Furacão Alvinegro.
Não faço idéia de quanto seja o salário de Cleiton no Figueira, mas deve estar bem acima da média do trabalhador brasileiro e da maioria dos jogadores de futebol do país. Deve dar para viver com um bom conforto e sobrar algum para o futuro. Uma transferência, portanto, não é caso de vida ou morte.
Vale a pena ir para o Flamengo, ser mais um na multidão de volantes que povoa o time da Gávea e correr o sério risco de receber salário de vez em quando?
Vale a pena ir para algum país do segundo ou terceiro escalão do futebol mundial e ter que se adaptar aos usos e costumes de outro povo, além das dificuldades de ambientação ao estilo de jogo do futebol local?
Se não vier uma proposta absolutamente irrecusável, por que partir?
Casado há pouco tempo, com uma filha de alguns meses, mais do que um jogador vivendo uma boa fase física e técnica, Cleiton Xavier parece ser um homem feliz, que está fazendo o que gosta num lugar onde se sente bem. Como se mensura isso? Quanto vale essa satisfação?
Parabéns pelo blog.
Abs.