Festa do interior

O blog Furacão Alvinegro parabeniza o Avaí por, pela primeira vez na história da Ressacada, ter arrancado um empate de um grande time do futebol brasileiro jogando em casa, mesmo que tenha sido contra o decadente Corinthians.

Tão magnífico e fantástico resultado realmente justifica as carreatas e buzinaços vistos e ouvidos pela cidade ao final da partida. Pena que a chuva tenha atrapalhado o desfile no carro dos bombeiros e a festa na Beira-Mar.

Mal em casa, bem fora

Com 10 jogos em casa no returno, é nesse quesito que o Figueirense precisa melhorar em comparação a seu desempenho na primeira metade do campeonato.

Fechadas as contas do 1º turno, o Figueira tem apenas a 17ª melhor campanha nas partidas disputadas em casa. Com 55,6% de aproveitamento (15 pontos, quatro vitórias, três empates e duas derrotas), o Furacão Alvinegro tem desempenho igual ao do Goiás e melhor somente que Ipatinga, Fluminense e Santos, três equipes que estão na zona de rebaixamento.

Em contrapartida, a campanha do Figueira fora de casa é a sexta melhor da competição. A equipe conquistou 33,3% dos pontos disputados (duas vitórias, quatro empates e quatro derrotas). Os números só são inferiores, em termos percentuais, aos de Grêmio, Flamengo, Cruzeiro, Coritiba e São Paulo.

Com exceção das goleadas sofridas antes da chegada de PC Gusmão, o time está se mostrando uma equipe muito difícil de ser batida fora de seus domínios. Isso se deve, a meu ver, à filosofia de jogo implantada pelo técnico e também ao perfil do elenco. O time marca forte, mas tem muita dificuldade na criação de jogadas.

Os números dos últimos seis jogos deixam essa característica evidente. O time não perdeu fora (0 a 0 com Atlético-PR, 2 a 1 no Náutico e 1 a 1 com o Inter), mas não venceu em casa (1 a 7 para o Grêmio, 1 a 1 com o São Paulo e 1 a 2 para o Botafogo).

Claro que o nível e o momento vivido pelos adversários têm relação direta com estes resultados. Mesmo assim, PC Gusmão tem como desafio encontrar um modo de jogar e uma formação que façam o Furacão Alvinegro ser mais efetivo quando precisa tomar a iniciativa do jogo. Uma campanha melhor depende fundamentalmente disso.

A diferença

A última vez que o Corinthians enfrentou o Avaí foi num amistoso no antigo Pasto do Bode em 1943.

A última vez que o Figueirense pegou o Timão foi no ano passado pelo campeonato brasileiro da série A. Só não se enfrentam esse ano porque o time paulista caiu para a segundona.

Isso retrata fielmente a relevância do Avaí no cenário nacional. Enfrentar o Corinthians é algo tão fora do cotidiano habitual avaiano que o que se vê é quase uma catarse coletiva. Ingresso a 100 reais, camarote a 12 mil, geral aberta para socar mais gente dentro do estádio e “vamos tirar a barriga da miséria” porque sabe-se lá quando esse confronto irá acontecer de novo.

Caso o Avaí ganhe, quero ver o Miguel Livramento dizer que esse time do Corinthians é muito fraco, que o decepcionou. Afinal, quando o Figueira bate um dos grandes do cenário nacional, ele sempre dá um jeito de desmerecer o resultado.

Léo Matos

Não jogou o fino, mas não maltratou a bola. Em comparação a Anderson Luís é um craque. Sabe sair jogando e é capaz de chegar à linha de fundo. Não rifa a bola o tempo todo e não bate só para onde o nariz aponta.

Agora é dar seqüência a ele, a mesma que Anderson Luís teve sem mostrar nada que justificasse tanta insistência em escalá-lo.

O mesmo vale para a lateral esquerda. William Matheus tem condições de ser titular da zaga no lugar de Asprilla. Na ala, a disputa deve ser entre Diego e Leandro Soares.

Para quem está com tanta dificuldade para fazer o resultado em casa, uma boa alternativa é ter mais do que zagueiros rebatedores improvisados nas laterais.

Está de bom tamanho

Fechar o turno com 25 pontos está de bom tamanho para os altos e baixos que o Figueirense viveu nos primeiros 19 jogos do campeonato.

Como comentamos no post A primeira meta é 45 pontos, fechar o turno com 25 pontos seria sinal de um returno mais tranqüilo.

O final do turno marca também o fim da maratona de jogos toda quarta e todo domingo. A partir de agora, as rodadas se concentram majoritariamente nos finais de semana, com uma ou outra exceção.

Assim, PC Gusmão terá mais tempo para pensar e treinar alterações na equipe. O treinador chegou antes do jogo contra o Atlético-MG, em 29 de junho, e excetuando as duas primeiras semanas, não teve mais tempo para treinar.

Agora PC pode dar mais chances a Léo Matos na direita, testar Diego na esquerda e preparar uma formação de meio-campo que jogue um pouco mais, além de marcar.

Reforços também são necessários, principalmente para o setor de criação. Cleiton Xavier sozinho não dá conta de resolver todos os jogos. Rodrigo Fabri não se confirmou como opção. Fernandes convive com contusões. Ramon apanha da bola. É muito pouco para um time como o Figueirense.

Bom resultado em Porto Alegre

Nas contas citadas acima, para fechar o turno com 25 pontos, este blog imaginava que depois do empate com o São Paulo, quando chegou a 21 pontos, o Figueira tinha condições de buscar mais quatro nos três jogos restantes. Um empate contra o Náutico e uma vitória contra o Botafogo (ou vice-versa). Contra o Inter, uma derrota era mais provável.

Contra o Botafogo, o Furacão Alvinegro não somou ponto, mas soube recuperá-lo no Beira-Rio. Sem Cleiton Xavier e Anderson Luís, PC Gusmão mexeu bastante no time. Escalou Léo Matos, promoveu a volta de Bruno Aguiar, escalou o meio-campo com Jackson, Diogo, Leandro Carvalho e Marquinho, este mais adiantado, além de trocar Tadeu por Ricardinho.

O time ganhou em pegada no meio-campo e roubou várias bolas no primeiro tempo, criando algumas chances nos contra-ataques. Numa dessas saídas em velocidade, Diogo sofreu falta e no lançamento para a área, ele mesmo concluiu de cabeça para fazer 1 a 0. O time continuou bem, mas sofreu o gol de empate num lance duvidoso, com, aparentemente, Nilmar em posição irregular.

No segundo tempo, no entanto, o Inter foi para cima e o Figueirense mais uma vez mostrou seu velho defeito. Não retém a bola (acho em que nenhum momento prendeu a pelota mais de 20 segundos), apelou para os chutões e pouco criou no contra-ataque.

Não prender a bola pode até ser uma filosofia de jogo, mas isso requer acerto de passe para sair em velocidade e finalizar no contra-ataque. Isso, porém, o Figueirense não conseguiu fazer. No final do segundo tempo, chegou a irritar. O Inter se mandou todo e em dois ou três momentos, o Figueira recuperou a bola na base de cinco ou seis contra três e sempre errou a saída para o contra-ataque.

Era um jogo perfeitamente “ganhável”, mas na atual conjuntura e com o time que temos, o negócio é se contentar com o empate.

Outra arbitragem ruim

O colunista do Lance, Mauro Beting promove em seu blog o bota-teima da rodada, onde lista os erros de arbitragem. No seu ranking, o Figueira lidera a lista dos prejudicados, com menos cinco pontos. Pois ele pode listar mais alguns lances depois do jogo deste domingo.

O árbitro Cléber Abade deixou o Inter bater à vontade sem marcar as faltas ou sem advertir com cartão os faltosos. Só o zagueiro Bolívar entrou quatro vezes de carrinho com os pés levantados e só na última levou amarelo. Desse jeito derrubou Rafael Coelho dentro e na entrada da área, deixando de dar pênalti no primeiro lance e não expulsando o defensor colorado no segundo.

Guiñazu também abusou. No final do jogo, Abade deu amarelo a Tadeu e gesticulou para mostrar que havia sido pela seqüência de faltas cometidas pelo atacante alvinegro. Pois o gringo beliscou tornozelos à vontade e saiu incólume. O zagueiro ainda meteu a bola na bola sem que faltasse fosse marcada ainda no primeiro tempo.

O gol de Nilmar também foi extremamente duvidoso. O ângulo de câmera não favorece, mas o atacante parece impedido depois do desvio de Bolívar.

Fernandes 2009

Como você pode notar na imagem no alto do blog, nos juntamos à campanha pela renovação imediata do contrato de Fernandes. O Gigante Alvinegro e o Blog do Tainha já falaram do muito que o jogador representa para o clube e para a torcida.

Por isso, entendemos que Fernandes merece receber esse presente. É um exemplo, é um ídolo e ainda pode ser muito útil dentro de campo. Queremos o jogador por mais um ano no Furacão Alvinegro.

É muito mais ou menos

Em um jogo como o desta quinta-feira no Scarpelli, ficam evidentes as limitações do Figueirense. Não faltam luta e empenho. O time corre, dá o máximo, mas futebol não é só isso. Futebol é qualidade técnica. E isso está faltando ao Figueira. O time até criou chances e poderia ter evitado a derrota por 2 a 1 para o Botafogo, mas foi vencido por sua própria insuficiência técnica.

Na escalação definida por PC Gusmão havia dois jogadores que poderiam fazer algo diferente, Rodrigo Fabri e Cleiton Xavier. Os dois fizeram uma partida muito ruim. Outro, que está se firmando com um jogador importante para o time, Rafael Coelho, precisava ser municiado pelos dois primeiros para brilhar. Mesmo com o mau futebol de Fabri e Cleiton, Rafael ainda conseguiu ser importante. Fez um gol, teve outro mal anulado pela arbitragem e, no fim do jogo, só não empatou a partida, porque o goleiro do Botafogo salvou um cabeceio seu com a ponta dos dedos.

O time do Figueira hoje é muito mais ou menos. Tem condições de, no máximo, ficar por onde está, no 12º lugar, um pouco para cima ou para baixo, se tudo for bem. Com as opções feitas por PC Gusmão, principalmente nas laterais, e sem mais alguns reforços de qualidade, o time vai, na melhor da hipóteses, beliscar uma vaga na Sul-Americana.

Laterais rebatedores

A figura do zagueiro-zagueiro, aquele que rebate todas e chuta para onde o nariz aponta é bem conhecida no futebol. PC Gusmão parece, no entanto, querer inventar a figura do lateral rebatedor ao optar por Anderson Luís e William Matheus nas alas do Furacão Alvinegro.

Nenhum dos dois tem a menor aptidão para chegar ao fundo e fazer bons cruzamentos. No jogo contra o Botafogo, principalmente no primeiro tempo, Anderson Luís teve uma avenida à sua disposição depois da expulsão de Carlos Alberto. Nem assim foi capaz de levar algum perigo à defesa do time carioca.

Aliás, a avenida deve ter sido oferecida porque o Botafogo conhecia o jogador. Com um a menos, a equipe do Rio de Janeiro marcou os outros e deixou Anderson Luís livre porque sabia que a natureza se encarregaria de fazer o serviço.

William Matheus é um caso diferente. Parece reunir as qualidades de um bom zagueiro, melhor, inclusive que o atual titular da posição, o estabanado Asprilla, mas não é lateral, não sabe apoiar e assim se prejudica e ao time. É hora de dar chance a Diego e Léo Matos.