A sete chaves

O Figueira está à procura de reforços, mas nenhum nome vazou. O prazo para inscrições termina nesta sexta-feira, dia 19. Fala-se em um atacante e um meia. Eu acrescentaria um lateral direito na lista. E um zagueiro, se houvesse algum de qualidade razoável dando sopa.

A prioridade, porém, é a meia. Ramón não é o cara, as presenças de Fernandes e Fabri estão sempre ameaçadas por contusões e Jairo acabou de chegar.

Posso ser criticado, mas não vejo tanta necessidade de mais um atacante. Não porque os atuais sejam excelentes. É simplesmente porque não acredito que o Figueira consiga encontrar alguém com qualidade superior ao que temos à disposição. Além disso, Edu Sales e Wellington Amorim sabem jogar, se reencontrarem o futebol que esqueceram em algum canto do Centro de Treinamento. Tadeu também pode render mais, se o esquema de jogo favorecer suas características.

Antes um mal que eu já conheço

A boa matéria de Arthur Virgílio no site Meu Figueira explica como andam as negociações para contratar o novo técnico. Mário Sérgio está bem encaminhado e Zetti e Renê Simões foram cogitados somente.

Tudo indica que Mário Sérgio será o homem encarregado de tirar o Figueira do atoleiro. Não é o nome de minha preferência. As opções, no entanto, são escassas e provavelmente a diretoria está apostando em quem já conhece a aldeia e os caboclos para fazer o time reagir o mais rápido possível.

Mário Sérgio é um técnico bissexto e idiossincrático. Alterna longos períodos fora dos gramados com momentos de treinador, geralmente quando é chamado por algum amigo para acudir algum clube em apuros. No Figueira, seu amigo é José Carlos Lages.

Em sua passagem pelo Furacão Alvinegro em 2007 fez um grande trabalho durante a Copa do Brasil. Transformou um time desacreditado, limitado e em frangalhos em uma equipe competitiva, organizada e aguerrida. Chegou com méritos à decisão e infelizmente a fortuna não lhe sorriu, muito por conta de um apagão de cinco minutos, os dois finais no Maracanã e os três iniciais no Scarpelli.

Guardada as devidas proporções e diferenças, Mário Sérgio é o tipo de treinador como Cuca ou até Celso Roth que durante um período consegue tirar mais do time do que ele realmente poderia dar, levam o time mais longe do que a sua qualidade poderia supor. Só que não conseguem fechar a conquista, até porque esbarram nas limitações da própria equipe, cuja qualidade é inferior aos adversários mais diretos. Levam assim a pecha de perdedores, o que, em grande medida, é uma injustiça, pois foram mais longe do que se poderia prever.

Só que pesa contra Mário Sérgio a pá virada, o diabo no corpo. De repente queima um fusível dentro da cabeça do homem e ele começa a meter os pés pelas mãos. E nunca se sabe quando esse outro Mário Sérgio vai aparecer ou se ele vai tomar o leme logo de cara.

Sua obsessão por anular o adversário, que, muitas vezes, anula seu próprio time. Seu defensivismo exarcebado. Suas declarações intempestivas trabalham sempre contra ele em algum momento. Ano passado, por exemplo, disse que o time era fraco e ia lutar para não cair. Até poderia ser, mas falou no momento errado. Começou com aquele irritante discurso de que o Rogério Ceni sozinho pagava a folha toda do Figueira – se fosse por despesas e orçamento o Figueira já estaria na segundona faz tempo, mas já são sete anos na série A. Disse que na série B não tinha jogador que servisse para o Furacão Alvinegro. Isso, a falta de ambição e o conformismo com a suposta superioridade do adversário em determinados jogos lhe custaram o emprego.

Depois de passar pelo Figueira teve passagens meteóricas e infelizes por Botafogo no ano passado e Atlético-PR neste ano.

Paulo Vinícius Coelho, por exemplo, comenta que não é a escolha certa, que Mário Sérgio é um técnico copeiro e não se dá bem em pontos corridos.

Faltando, no entanto, 13 rodadas para terminar o campeonato, talvez seja desse espírito copeiro que o Figueira precise. Cada jogo é uma decisão em si. E a saída é pensar em jogo a jogo. Nada de grandes planejamentos, de projeções mirabolantes. É buscar cada pontinho como se fosse o último.

No fim, como dizia minha bisavó, antes um mal que eu já conheço do que um bem do qual eu nunca ouvi falar. Provavelmente isso que guiou a escolha – se confirmada – da direção do Figueira. A isso que nos resta agarrar como tábua de salvação no momento.

Que não seja tarde demais

O que devia ter sido feito depois da derrota para o Flamengo, quando o novo técnico teria 10 dias de trabalho pela frente antes de entrar em campo novamente, foi feito agora. A demora em demitir PC Gusmão custou ao Figueira mais uma vergonha, mais um vexame.

Agora é encontrar alguém capaz de ajudar o Furacão Alvinegro a escapar de segunda divisão. É só o que importa. Até agora o Figueira rezou fervorosamente pela cartilha do rebaixamento. O erro na manutenção de Alexandre Gallo quando o desempenho no campeonato estadual já mostrava que a coisa não ia bem. A contratação de Guilherme Macuglia num momento que não era adequado para um treinador sem experiência na série A. A insistência com PC Gusmão muito além do razoável, quando já era visível que ele tinha perdido completamente a mão. As contratações equivocadas, tanto de jogadores que não têm condições de vestir a camisa do Figueira quanto daqueles que não corresponderam ao que se esperava deles.

Ainda há tempo para a recuperação. A cada péssimo resultado como o deste domingo, ela fica mais difícil, mas ainda há tempo. Até porque a concorrência para cair está grande. Mesmo com cinco derrotas consecutivas, o Figueira ainda não entrou na zona de rebaixamento, ou seja, depende apenas de si para continuar fora dela. Não é algo que anime muito, mas é um fato.

A revolução, no entanto, tem que ser mais profunda. Não basta só mudar de técnico. É preciso fazer uma limpa no elenco. Fazer contratações pontuais que efetivamente acrescentem qualidade ao time. Recuperar a moral dos jogadores que realmente queiram tirar o Figueira do buraco e têm condições técnicas de ajudar nessa empreitada. Trabalhar para ter a torcida ao lado da equipe nessa batalha. Não é pouca coisa, mas o necessário para não passar uma temporada, no mínimo, na segunda divisão.

Festival dos horrores

Assistir a um jogo do Figueira tem sido uma verdadeira tortura. O time não mostra nada. Entra com três zagueiros e dois volantes e é frouxo na marcação. Não consegue criar uma mísera chance de gol. Contra um Sport em marcha lenta, o time não mostrou em nenhum momento qualquer possibilidade de conseguir algo mais do que uma derrota.

O gol sofrido aos quatro minutos de jogo já mostrou o que seria o jogo. Até ali, e mesmo depois, o Sport cansou de errar na saída da defesa para o ataque, entregando a bola de presente para o Figueira repetidas vezes. Nada, no entanto, acontecia. Ramon, Tadeu e Rafael Coelho invariavelmente erravam qualquer coisa que tentassem, desperdiçando todos os contra-ataques.

O primeiro gol do Sport retratou fielmente o momento do Figueira. O time no ataque, a bola é cortada pela defesa pernambucana, o rebote cai, como sempre, nos pés do adversário que vem no contra-ataque sem ser incomodado desde da linha de sua grande área até a marca do pênalti da área alvinegra. Ninguém acossou o adversário, ninguém fez um desarme, ninguém fez uma mísera faltinha para parar a jogada. Nada. Absolutamente nada, até Roger fintar Rafael Lima sem esforço e bater no contrapé de Wilson.

Para piorar, mais um presente. Rafael Lima atrasa para Wilson, que erra na tentativa de afastar a bola, entrega para o adversário. Bruno Aguiar comete a falta. A barreira pula, a bola passa por baixo e mata o goleiro. Um festival de horrores entregando mais um gol de presente para adversário.

Para ajudar, no intervalo, PC Gusmão faz mais uma de suas substituições inexplicáveis. Jackson estava muito mal no jogo, mas mais valia uma conversa com o jogador do que queimar uma substituição tirando o único primeiro volante de ofício do time para entrada de Diogo que anda numa péssima fase. Mais valia então, tirar Anderson Luís, o homem que não acerta nem cobrança de lateral, e botar Diogo em seu lugar. Ali, pelo menos, Diogo não atrapalharia tanto e ainda poderia melhorar o setor, coisa fácil quando seu antecessor é Anderson.

Depois o Sport fez o que quis, como quis e quando quis. Entrar dentro da área do Figueira é brincadeira de criança. Está certo que o time é muito fraco, mas não se admite que um técnico de futebol não consiga nem orientar o esquema de marcação e de posicionamento da equipe. É só fazer uma triangulação mixuruca, lançar no vazio e lá entra um homem livre pra cruzar e outro mais livre ainda para completar para gol. Ridículo, ginasiano, bisonho.

Uma barca de verdade

Na semana passada, comentei que a lista de dispensas anunciada pelo clube só servia para diminuir a fila do almoço. De prático, pouco efeito teria. O resultado deste domingo me deu, para meu desgosto, mais razão do que eu queria.

Anderson Luís não pode ser titular do time. Se Léo Matos não consegue ganhar a posição dele, também deve ir embora (já disse isso aqui). Asprilla poderia arrumar as malas. Rafael Lima não é solução. Ramon muito menos. Wellington Amorim e Edu Sales até agora só fizeram um brilhareco no campeonato estadual e nada mais. Leandro Carvalho não acrescenta absolutamente nada.

Para contar com jogadores que apresentam esse nível de futebol, mais vale puxar alguns dos destaques do time da Copa São Paulo, como Ricardo, Talheti e Marquinhos para o time de cima. Vão jogar com mais vontade e comprometimento e, na pior das hipóteses, vão ganhar experiência para disputar a segunda divisão de 2009.

Não falta dinheiro, falta conhecimento

Diferentemente de 2006 e 2007, o Figueira não está economizando para formar o elenco. Em 2006, o time montado era barato, com pratas da casa e jogadores emprestados de outros clubes. Só que por trás da formação do elenco estava Adilson Batista, que conhece do riscado. E de 2007, aproveitava ainda mais as pratas da casa e algumas contratações baratas (Ruy, Vitor Simões, Peter, Jean Carlos, Otacílio Neto) que, de uma maneira ou de outra, deram sua contribuição. Não era um time tão bom quanto o de 2006, mas chegou à final da Copa do Brasil e fez um campeonato brasileiro relativamente tranqüilo.

Neste ano, vários dos jogadores contratados não são baratos. É só fazer a lista. Só que nenhum deles mostrou ainda a que veio. Falta técnico para fazer jogá-los melhor, mas também falta mais acerto nas contratações. Só pela análise de currículo, não se contrata jogador. Futebol não é banco ou empresa de autopeças. E tudo indica que dentro do Figueira está faltando alguém que tenha olho clínico para contratar.

O time que queremos ver

PC Gusmão ensaia escalar o time num 3-5-2 no jogo contra o Sport, em Recife, no próximo domingo. É uma boa alternativa de dar mais consistência defensiva à equipe, sem perder poder ofensivo. Isso claro, se liberar os laterais e os meias para o jogo e não enterrar o time todo na defesa.

Não concordo muito com algumas de suas escolhas, como Anderson Luís na ala direita, Rafael Lima na defesa e Leandro Carvalho de volante, mas esse não é o ponto.

Uma equipe bem armada é aquela que ressalta as qualidades e minimiza os defeitos de sua equipe. Não adianta querer cadenciar o jogo se o time não tem a característica de prender a bola e alternar o ritmo de jogo. Não adianta jogar com bola alta se a equipe não tem atacantes bons de cabeça. E por aí vai.

Os melhores momentos do Figueira no campeonato ocorreram quando o time conseguiu aliar uma boa pegada na marcação com uma transição rápida da defesa para o ataque. Até o desastre contra o Grêmio, por exemplo, o time dirigido por PC Gusmão tomava no máximo um gol por jogo, muito diferente da peneira armada por Gallo e Macuglia.

Contra o Sport, esperamos ver essa pegada retornar, junto com mais força no contra-ataque e eficiência nas conclusões. Contra Goiás e Flamengo, o time teve chance de sair na frente no placar, o que mudaria completamente os rumos dos dois jogos, mas errou na hora de decidir.

Outra coisa importante é não desmontar, tática e emocionalmente, caso tome o gol primeiro. O time não pode se desarrumar completamente se isso ocorrer, dando chance do adversário abrir uma vantagem inalcançável. É preciso manter sempre os nervos no lugar e a organização tática para reverter um resultado adverso.

Não é tarefa fácil, reconhecemos, mas está na hora de PC Gusmão voltar a acertar a mão. Que essa semana em Águas Mornas tenha servido para isso.

Sem sensação, nem bola de cristal

Confesso que, tratando-se de Figueira, não tenho bola de cristal, nem sensação antecipada de vitória ou derrota. Muitos amigos e conhecidos volta e meia falam: “hoje acordei com a sensação que o Figueira vai ganhar” ou “não tô legal, acho que vamos perder”.

Eu não consigo ter presságio algum. Até porque a relação com o clube transcende a racionalidade dos fatos e a lógica. Há sempre uma ponta de esperança e de paixão envolvendo uma partida do Furacão Alvinegro. É muito diferente de analisar friamente o desempenho de outro time qualquer, com a qual eu não tenha nenhum movimento emocional.

Tenho minhas manias, claro. Aquelas coisas a que o torcedor se apega na crença ilógica que seus atos e comportamento podem influenciar diretamente nos destinos da partida e nos rumos do time. Repetir a camisa ou outra peça de roupa em caso de vitória no jogo anterior. Ou não repetir, em caso de derrota, por exemplo.

Estou preocupado com o momento atual e os destinos da equipe no campeonato. Mesmo assim, não consigo cravar: vamos cair ou não vamos cair. Não tenho certeza. Tenho esperança. Até porque sem isso, futebol seria muito algo chato, desalentador até.

Então como nunca há certeza de vitória, também há a esperança de se trazer um bom resultado de Recife. À torcida, pois.

Marcel e Rafael

O site de Chico Lang, jornalista paulista e corinthiano, diz que o Figueirense teria interesse em Marcel, meia que não está sendo aproveitado no time de Parque São Jorge e já teve passagens por Palmeiras, Grêmio e Naútico. Seria um bom nome para reforçar o Furacão Alvinegro, embora a diretoria do clube negue o interesse.

O blog do Tainha diz que o pessoal do Orkut comenta sobre um atacante chamado Rafael Pires Vieira, catarinense de 30 anos que está jogando na Finlândia. Não conheço e nem sei se é possível contratá-lo, já que a janela de transferências do e para o exterior já está fechada.

Além disso, com todo o respeito que a grande comunidade do Figueira no Orkut merece, o que sai de boato por lá é uma grandeza.

PC Gusmão vai bater o recorde?

O Guia do Brasileirão da revista Placar informa que dois treinadores detêm o recorde de derrotas consecutivas dirigindo o Figueira em campeonatos nacionais da primeira divisão.

Antoninho, em 1973, e Muricy Ramalho, em 2002, perderam quatro partidas seguidas, feito igualado por PC Gusmão na série A deste ano.

Em meus alfarrábios não encontrei as tais quatro derrotas de Antoninho em 1973. Foi a primeira participação de um clube catarinense no campeonato brasileiro e não foi lá das mais brilhantes – terminou em 35º entre 40 clubes –, mas a maior seqüência de derrotas que consegui achar foi justamente nas últimas três partidas da competição (0 a 3 para o Cruzeiro em casa, 0 a 4 para o América-MG fora e 1 a 3 para o Atlético-MG)

Já a seqüência infeliz de Muricy está bem viva na lembrança. Foi em 2002, ano do retorno do Figueira à elite do futebol brasileiro. Depois de comandar a recuperação da equipe, que havia iniciado muito mal a competição, o técnico quase colocou o time entre os oito classificados para o mata-mata decisivo.

Era isso que se desenhava quando o Furacão Alvinegro abriu 2 a 0 de vantagem sobre o Juventude na partida disputada em Caxias do Sul. Só que o time gaúcho virou o jogo no segundo tempo, com direito a gol no último minuto de partida, e depois disso mais três derrotas viriam. Duas delas também de virada: 1 a 2 para o São Caetano no Scarpelli, 1 a 2 para o Paysandu em Belém, além do 0 a 2 para o Grêmio, no Scarpelli.

Com essa seqüência, o Figueira voltou a ficar ameaçado de rebaixamento, mas a vitória sobre o Coxa em Curitiba por 2 a 1, na penúltima rodada, garantiu a permanência do Furacão Alvinegro na primeira divisão.

Se perder em Recife, PC Gusmão se isolará na liderança desta triste estatística. As notícias que vêm do CT sobre a preparação para o jogo contra o Sport indicam que a possibilidade de nova derrota é muito grande.