A RBS anuncia a transmissão de Bahia e Criciúma, no sábado, para o Sul do estado.
E o Figueira no domingo, a emissora vai transmitir?
Febeapá de volta
O falecido Stanislaw Ponte Preta (também conhecido como Sérgio Porto) criou, no auge da ditadura, o Febeapá (Festival de Besteira que Assola o País). O site Globo Esporte decidiu seguir as lições do mestre.
Depois de botar todos os gols marcados no país no mesmo saco, criando um prêmio para os artilheiros que não diferencia as competições, agora faz a simples média aritmética entre partidas jogadas e gols sofridos para anunciar os goleiros menos vazados.
Não dá para comparar laranja com melancia. É isso que o Globo Esporte está fazendo. Fazer ou não sofrer gols na série C é uma coisa, na série B é outra e na série A mais outra ainda. O mesmo vale para os estaduais, cuja qualidade varia de estado para estado.
E tem gente que vai na onda do artilheiro do Brasil ou do terceiro melhor goleiro do país. Só rindo mesmo.
Diminuindo a fila do almoço
Na última segunda-feira, o Figueira anunciou uma lista de dispensas (leia Figueirense reduz elenco para a seqüência do Brasileirão).
A não ser reduzir despesas e diminuir a fila na hora do almoço, não vejo outros efeitos práticos para a decisão. Ela poderia ser tomada a um mês atrás, já que a grande maioria dos jogadores afastados jogou muito pouco, se é que jogou, durante o campeonato brasileiro.
A maior surpresa foi a rescisão do contrato do lateral-esquerdo Leandro Soares. Mas até ele vinha sendo pouco aproveitado, então não sei qual efeito terá a medida, além de diminuir um pouco o inchaço do elenco.
O fundamental é saber quem vem para reforçar o time. E rápido.
Nunca é fácil contratar
Uma retrospectiva das declarações dos dirigentes alvinegros sobre a possibilidade de contratações nos leva à conclusão que o mercado do futebol está eternamente aquecido e difícil.
No início do ano, a dificuldade é porque os times estão montando seus elencos para os estaduais e aí os preços se elevam e as boas (e baratas) opções são restritas.
Quando começa o Brasileiro, também é complicado porque os times estão se reforçando para a competição nacional e os jogadores que se destacaram nos estaduais estão muito valorizados.
Depois vem a janela de transferências para o exterior, que aquece demais o mercado e inflaciona os custos.
Fechada a janela, as opções ficam ainda mais restritas e é muito caro tirar jogador de qualquer time.
No futebol, não tem muito segredo. Ou se conhece profundamente o mercado para encontrar jogadores de qualidade, mas ainda desconhecidos ou se bota a mão no bolso para contratar atletas de reconhecida qualidade e competência e que por isso mesmo custam mais caro.
Encontrar craque a preço de banana parado no desvio e que resolva jogar bola outra vez é coisa rara.
A RBS vai transmitir?
Depois de nos brindar com a transmissão da rematada pelada entre Avaí e Santo André, um jogo com o nível baixo e típico de série B, a RBS vai finalmente transmitir um jogo do único representante de Santa Catarina na elite do futebol brasileiro?
A pergunta é pertinente porque no domingo, ás 16 horas – o horário do futebol na Rede Globo – o Figueirense joga em Recife contra o Sport. O que impede a RBS de transmiti-lo, além da falta de vontade?
PC fica. Até quando?
A diretoria do Figueira manteve o técnico PC Gusmão depois da quarta derrota consecutiva e da falta de rumo do time.
Na segunda-feira, o elenco parte para um retiro em Águas Mornas e fica concentrado lá até viajar para Recife para enfrentar o Sport, no dia 14 de setembro.
O período será usado para tentar um ânimo e uma preparação novos para a equipe. É possível também que reforços cheguem antes do próximo jogo.
Este blog espera que a direção do Figueira esteja convicta de que esteja fazendo o melhor para tirar o time do buraco. Que acredite realmente que PC Gusmão é o homem indicado para a tarefa.
Isso porque o Figueira terá uma seqüência complicada de jogos. Sai para pegar o Sport e depois enfrenta o Cruzeiro em casa. Dois jogos difíceis e que, se o tempo de folga não for bem usado, serão quase impossíveis de ganhar se o time continuar jogando o futebol de agora.
Depois sai para pegar Vasco e Atlético-MG fora de casa. Duas partidas decisivas contra adversários que também estão com a corda no pescoço.
De nada adianta manter PC Gusmão até o jogo contra o Sport e demiti-lo em seguida se acontecer mais uma derrota. Será apenas tempo perdido, desperdiçado em busca da recuperação.
Cleiton Xavier no Palmeiras
Com sete meses de diferença, Miguel Livramento e Polidoro Jr. acertaram que Cleiton Xavier vai se transferir para o Palmeiras (leia aqui).
Miguel disse que Cleiton nem ia jogar a segunda partida da decisão do campeonato estadual, contra o Criciúma, lá no começo de maio, para se apresentar ao Alviverde.
Já Polidoro afirmou que a Traffic, parceira do Palmeiras, iria pagar 4 milhões para o Internacional e 1 milhão de reais para o Figueira para ter o jogador.
Comentando esses “furos”, este blog afirmou em 6 de maio (leia post completo aqui):
Também é duro entender por que cargas d’água, a Traffic – parceira do Palmeiras, Avaí e uma penca de times – vá empatar 5 milhões em um jogador cujo contrato termina no final do ano e daqui a dois meses já pode assinar pré-contrato com quem quiser a custo zero. Estão rasgando dinheiro?
Era só somar dois mais dois para chegar à conclusão acima. Mas os dois cronistas preferiram guardar a inteligência na gaveta no afã de dar o furo.
Que punição é essa?
O torcedor do Flamengo que invadiu o gramado na última quarta-feira é padeiro e mora na Palhoça. Fez um acordo com a Justiça e terá que se apresentar numa delegacia toda vez que… o Figueira jogar (leia aqui).
Beira o surreal. Na delegacia, ele não poderá ouvir rádio nem ver TV. Quando o Figueira jogar. Se o Flamengo jogar em dia e/ou horário diferente ele está liberado então?
Poderia até ir para o Maracanã – logo ali, pertinho, pertinho – ou viajar para ver o time dele em Curitiba ou Porto Alegre?
A invasão foi surreal. O comportamento da PM foi surreal. Um morador da Palhoça que provavelmente nunca chegou perto do Maracanã e torce para o Flamengo é surreal.
A punição só podia seguir o mesmo espírito.
Não faltou vontade
Na previsível derrota contra o Flamengo nesta quarta-feira no estádio Orlando Scarpelli, não faltou vontade. Faltou organização tática. Faltou qualidade técnica. Faltou controle emocional. Vontade, no entanto, não faltou.
O time entrou determinado, empenhado em buscar a vitória. Começou o jogo bem postado na defesa. Criou chances para sair na frente do placar, mas seja por limitação técnica, seja por ansiedade, não teve a capacidade de sair na frente do placar.
Tomou o primeiro gol e se perdeu. Parou de se posicionar corretamente. Começou a errar passes em demasia. Deixou o Flamengo controlar o jogo como quis até chegar ao segundo gol. Naquele momento, passou pela cabeça a repetição daquele horroroso pesadelo contra o Grêmio.
No segundo tempo, a entrada de Tadeu deu um pouco mais de força ofensiva. O belo gol de Rafael Coelho logo aos cinco minutos deu ânimo para buscar o empate. Só que o Figueira é um time que tem que fazer muita força para jogar futebol. O time erra demais e bobamente. Os laterais não têm poder ofensivo. O meio é inoperante, com exceção de um Cleiton Xavier que corre feito louco por todo o campo e não consegue fazer nada direito.
Assim fica difícil reagir. O time tenta, se esforça, mas na base de chutão, porque organização tática, principalmente quando está atrás no placar, não existe, fica quase impossível virar uma partida contra um time mais qualificado e organizado.
Muita coisa tem que mudar para que o Figueira saia do buraco em que se meteu. Troca de treinador, dispensas, contratações. È preciso aproveitar o intervalo de 10 dias entre o jogo contra o Flamengo e a partida contra o Sport para remodelar o time. Se não, a série B estará cada vez mais próxima.
Bye bye, PC Gusmão
Vida de treinador não é fácil. No Brasil, menos ainda. Não existe trabalho de médio e longo prazo. Mesmo assim, PC Gusmão já deveria ter dado algum padrão de jogo para a equipe.
O elenco foi mal formado? Foi. Há deficiências técnicas? Há. O time tem problemas físicos? Tem. Só que num time bagunçado todos os defeitos saltam aos olhos.
O time do estadual do ano passado, por exemplo, era um horror. Conseguiu perder até para o Próspera no Scarpelli. Depois que Mário Sérgio chegou – e, veja bem, não era um treinador top de linha – a situação melhorou. Tanto que a escalação que chegou à final da Copa do Brasil era praticamente a mesma do estadual. Os reforços que chegaram – Peter, Otacílio Neto e Jean Carlos, por exemplo – só puderam jogar no campeonato brasileiro.
Só que PC perdeu o prumo. Erra na escalação, erra no posicionamento, erra na execução da estratégia de jogo.
Se vai jogar com três zagueiros, um deles não pode ser Asprilla – que lá naquele time acertadinho do ano passado, não era o terror de hoje, tanto porque o posicionamento estava acertado como porque tinha a companhia de Chicão e Felipe Santana.
Com três zagueiros, os alas não podem ser Anderson Luís e William Matheus. Porque Anderson Luís não tem condição técnica de ser titular de um time de série A em qualquer posição e porque William Matheus é zagueiro e não lateral. Se esforça, avança, tem muito mais qualidade que Anderson Luís e até faria uma assistência para o gol de empate se o bandeirinha não assinalasse um impedimento inexistente. Só que é zagueiro. E até Édson, que era um baita jogador, não conseguiu se sair bem por ali.
Por pior que Léo Matos e Leandro Soares estejam, são da posição e poderiam dar mais consistência ofensiva ao time. E defensivamente não prejudicariam tanto, pois os dois escolhidos por PC não dão tanta força defensiva assim.
PC Gusmão erra ainda ao insistir com Leandro Carvalho. Não marca, não rouba bola, não arma. Jackson poderia ser muito mais efetivo na contenção. Mas Leandro é de confiança e assim ganha a vaga mesmo sem mostrar futebol para tanto.
Jogar no contra-ataque é uma estratégia válida. Ter a marcação forte e procurar roubar a bola para avançar em velocidade também. Só que o time de PC Gusmão faz tudo pela metade.
Se o time vai pressionar a saída de bola, não pode deixar os seus zagueiros quase na meia-lua de sua grande área. É o óbvio ululante. Porque se a pressão não der certo e o time adversário ultrapassar esse bloqueio vai ter uma avenida à sua disposição para vir tocando a bola e envolver a defesa adversária.
Não sou profissional do assunto. Nunca treinei um time. Mas tudo que vi, ouvi e li nesses 30 e poucos anos de arquibancada, confirmam que um dos segredos do futebol é a compactação da equipe.
Um time não pode ter três linhas (defesa, meio-campo e ataque) estanques e separadas. Tem que avançar e recuar organizadamente. Seja para diminuir os espaços do adversário quando está sem bola, seja para ter aproximação quando está com ela. O atual time do Figueira joga todo apartado. Seja por falta de orientação, seja por receio de aparecer para o jogo, os jogadores ficam distantes um dos outros. Em vários momentos da partida, um jogador dispara do campo de defesa e carrega a bola por metros e metros sem ter com quem jogar. Aí o desgaste físico aumenta, a possibilidade de erro também.
Um time pode também jogar na base do chutão para um atacante raspar de cabeça, pegar a segunda bola e já estar próximo do gol adversário. Mário Sérgio levou um limitado Corinthians às semifinais do Brasileiro abusando dessa jogada. A Noruega derrotou o Brasil na Copa do Mundo de 1998 usando esse artifício. O Criciúma de Luís Felipe Scolari vivia fazendo gol assim. O goleiro Alexandre dava um chutão para frente, o centroavante Soares raspava de cabeça e Jairo Lenzi entrava na diagonal para encaçapar.
Mas de novo, o Figueira de PC Gusmão só faz metade do serviço. Wilson chuta, Ramon (no primeiro tempo) e Tadeu (no segundo) raspam e a bola invariavelmente morre na zaga ou no goleiro adversário. Simplesmente porque é necessário que pelo menos dois jogadores se posicionam para entrar na diagonal e no time de PC ninguém faz isso.
O descontrole emocional também pode ser debitado ao atual treinador. Um time não pode desmontar, se desorganizar completamente depois de um sofrer um gol. E isso está acontecendo corriqueiramente no Figueira.
Se PC Gusmão está trabalhando tudo isso e mesmo assim a equipe não obedece, o problema é outro, e igualmente grave: ele perdeu o comando e a confiança do grupo e aí não tem mais jeito.
Está na hora de mudar de treinador. Contratar e dispensar jogadores também. A situação é crítica e a diretoria do Figueira tem que consertar os erros cometidos até agora o mais rápido possível.